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27 de mar de 2016

Abrir um CFC exige comprometimento e investimento em qualidade

Nunca se ouviu falar tanto em formação de condutores no Brasil como atualmente. Chegou-se ao consenso de que o processo de formação de condutores tem um papel fundamental na luta por um trânsito mais seguro.

Depois que a ONU proclamou a Década de 2011-2020 como sendo a “Década de Ação para a Segurança no trânsito”, os órgãos e entidades que trabalham com prevenção, sentiram-se convocados a fomentar projetos que auxiliem na redução de acidentes viários, o que inclui uma atualização no processo de Primeira Habilitação, com mudanças nas normas e regras para os cursos e otimização no desempenho dos Centros de Formação de Condutores (CFCs) envolvidos.

Pelos motivos citados, atualmente abrir um Centro de Formação de Condutores exige, além de dom para o negócio e visão empreendedora, um investimento em recursos didáticos e, acima de tudo, comprometimento com a qualidade do ensino.  “O CFC que investe em qualidade de ensino está cumprindo de forma integral os propósitos mais nobres do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) no que diz respeito ao conhecimento mínimo necessário que seu aluno deve ter para participar do trânsito como um condutor comprometido com a cidadania e com a segurança”, afirma Celso Alves Mariano, especialista em trânsito e diretor do Portal.

Exigências para abrir um CFC

Todos os Centros de Formação de Condutores possuem exigências mínimas para o credenciamento e funcionamento. Para abrir um CFC, você deve ficar atento às seguintes regras:

– Requerimento da unidade da instituição dirigido ao órgão ou entidade executivo de trânsito do Estado ou do Distrito Federal;

– Infraestrutura física e recursos instrucionais necessários para a realização do(s) curso(s) proposto(s);

– Estrutura administrativa informatizada para interligação com o sistema de informações do órgão ou entidade executivo de trânsito do Estado ou do Distrito Federal;

– Relação do corpo docente com a titulação exigida no art.18 da Resolução 358/10;

– Apresentação do plano de curso em conformidade com a estrutura curricular contida no Anexo da Resolução 358/10;

– Vistoria para comprovação do cumprimento das exigências pelo órgão ou entidade executivo de trânsito do Estado ou do Distrito Federal;

– Publicação do ato de credenciamento e registro da unidade no sistema informatizado do órgão ou entidade executivo de trânsito do Estado ou do Distrito Federal;

– Participação dos representantes do corpo funcional, em treinamentos efetivados pelo órgão ou entidade executivo de trânsito do Estado ou do Distrito Federal, para desenvolver unidade de procedimentos pedagógicos e para operar os sistemas informatizados, com a devida liberação de acessos mediante termo de uso e responsabilidades.

Estrutura física

Para conseguir o credenciamento junto ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran) é necessário que o CFC tenha também uma estrutura física mínima. Dentre as exigências estão: sala de aula teórica com tamanho de 1,20 m² (um metro e vinte centímetros quadrados) por candidato, e 6 m² (seis metros quadrados) para o instrutor, com medida total mínima de 24m2 (vinte e quatro metros quadrados) correspondendo à capacidade de 15 (quinze) candidatos, mobiliada com carteiras individuais, em número compatível com o tamanho da sala, adequadas para destro e canhoto, além de cadeira e mesa para instrutor.

Também deverá possuir uma sala de aula para os simuladores, com uma webcam instalada de forma a proporcionar uma visão panorâmica da sala de aula.

Para as aulas práticas é necessária uma área específica de treinamento para prática de direção em veículo de 2 (duas) ou 3 (três) rodas em conformidade com as exigências da norma legal vigente, podendo ser fora da área do CFC, bem como de uso compartilhado, desde que no mesmo município.
Além disso, entre outros pontos, é verificado se o candidato tem veículos equipados e instrutores e diretores credenciados no órgão estadual.

As demais exigências você pode encontrar aqui.

O funcionamento do Centro de Formação de Condutores deverá ser acompanhado de forma permanente pelo Órgão de Trânsito que o certificou.

Material didático

Tão importante quanto conhecer as leis de trânsito e ter habilidade para dirigir, ser um bom condutor significa ser um condutor responsável, e é aí que entra a importância do material didático na formação do futuro condutor. “Um bom material didático deve ser resultante de uma proposta metodológica e servir de instrumento para o processo de aprendizagem. Deve ser atrativo, de fácil compreensão, instigante, correto e abrangente. E, de preferência, fazer parte de um sistema de mídias que envolvam o aluno despertando nele o desejo de participar de forma efetiva e integrada no trânsito, agindo como se espera que se aja um verdadeiro cidadão. Eis o poder de um bom material didático nas salas de aula de um bom CFC.”, analisa Mariano.

Dificuldades

Nelson Muraqui Junior, que é diretor de um CFC em São Paulo, diz que a realidade nesse mercado é complicada e que para acontecer uma mudança no processo, seria necessário mudar também a cultura daqueles que procuram os CFCs. “Na prática o cliente quer só saber de preços baratos, pagar pouco é o que importa porque para eles autoescola é tudo igual”, reclama.

Para Celso Mariano, as pessoas não podem subestimar a importância desta atividade. “Apenas 1/4 da população brasileira dirige, mas são justamente os condutores, os responsáveis pelos acidentes mais graves. Dar-lhes uma formação adequada, em um país como o nosso, significa muito mais do que prepará-los para as provas dos DETRANs. É necessário transformá-los em cidadãos. Mais do que as escolas e, muitas vezes, mais do que as famílias, é no Curso de Primeira Habilitação que se tem a melhor oportunidade de fazer isso. O tema trânsito é naturalmente transversal a tudo que diz respeito à vida em sociedade e, por isso mesmo, guarda relação direta com a cidadania. O CFC tem nas mãos uma oportunidade única de direcionar o comportamento destes cidadãos para uma conduta cidadã, no trânsito e na vida. O CFC que tem esta visão, que não subestima a importância da qualidade de suas instalações, veículos, instrutores, metodologia de ensino e material didático, não tem problemas com índices de aprovação ou clientes insatisfeitos”, conclui o especialista.

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