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15 de mar de 2015

Mulheres são menos multadas que os homens e tornam o trânsito mais seguro


O crescimento do número de mulheres motoristas é uma tendência irreversível. Elas estão aprendendo a dirigir para trabalhar, atender a família e até para dirigir profissionalmente. Por isso, é cada vez mais comum encontramos mulheres guiando táxi, ônibus e até caminhão.

Ao contrário do que muitos homens imaginam, mulheres são multadas proporcionalmente menos que os homens. No Rio Grande do Sul elas são 31% dos motoristas mas responsáveis por apenas 22% das multas, já os homens ficam com 78%. No Nordeste, onde o número de mulheres ao volante era muito baixo no passado, a presença feminina no trânsito também vem crescendo.
Mesmo quando multadas as mulheres cometem infrações de menor gravidade, tanto no Brasil como exterior. O que levou uma seguradora britânica especializada em motoristas mulheres, a Sheila’s Wheels , a propor que o Governo crie faixas exclusivas para mulheres nas rodovias mais movimentadas para garantir a segurança das motoristas. A iniciativa é decorrente do resultado de estudos que demonstram que as mulheres são mais vulneráveis nas estradas porque os homens dirigem de forma perigosa.
Dados do Departamento Britânico de Transportes indicam que em 2012 os homens estiveram envolvidos em 114.190 acidentes e as mulheres 70.470. O mesmo relatório indiciou que os motoristas homens são penalizados quatro vezes mais por infrações graves que as mulheres, o que explica a vulnerabilidade das mulheres transitando na mesma pista que os homens.
Com já mencionamos aqui, apesar de representarem mais de 30% dos motoristas em circulação no Brasil, das 763 mil vítimas de trânsito indenizadas pelo DPVAT em 2014, 75% eram homens e 25% mulheres.
No Paraná do total de motoristas que tiveram a carteira suspensa em 2014 por atingir 20 pontos, os homens representam 74% e as mulheres 26%.
As mulheres costumam ser mais cuidadosas no trânsito, raramente são flagradas dirigindo embriagadas. Não costumam dirigir em excesso de velocidade, fazendo manobras arriscadas ou pilotar moto sem capacete. As infrações mais frequentes do público feminino são dirigir falando ao celular e estacionar em local proibido.
As mulheres tem um papel educativo que não pode ser desprezado. Na prática a maioria das crianças ainda tem as primeiras lições de segurança no trânsito com suas mães. Aprendem como se comportar como pedestres, passageiros de veículos e na sociedade moderna as crianças tem como referência de motorista modelo uma mulher: a sua mãe. Por isso, a responsabilidade das mulheres para um trânsito seguro assume outra proporção.
Infelizmente, existe uma tendência de crescimento de infrações graves cometidas por mulheres ao volante, mas apesar disso, a simples presença feminina no trânsito pode estimular os homens a dirigirem de forma mais prudente e gentil e as crianças a serem pedestres e motoristas mais cuidadosos.
Por fim, há de se reconhecer que as mulheres criam tornam o trânsito mais agradável e menos hostil.
Rodolfo Alberto Rizzotto
Formado em Direito e Economia, coordena o programa de segurança nas estradas SOS Estradas e edita o site www.estradas.com.br, onde é possível acompanhar os temas de seus artigos também em arquivos de áudio, disponíveis para download.


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