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30 de mar de 2014

Estudantes criam bafômetro para carro que impede motorista de dirigir bêbado

Equipamento ainda terá um sistema de reconhecimento facial contra fraude.


Estudantes criam bafômetro para carro que impede motorista de dirigir bêbado Marcel Ávila/Especial
Acidente que feriu amigo motivou o grupo a desenvolver o aparelhoFoto: Marcel Ávila / Especial
A ideia é ambiciosa, relevante à segurança no trânsito e se assemelha a outras já testadas por grandes empresas automobilísticas, como a Toyota e a Nissan: um bafômetro que trava a ignição de carros, motos e caminhões caso o motorista esteja alcoolizado.

E para evitar que outras pessoas além do condutor usem o aparelho para ligar o veículo, os inventores instalarão este ano um sistema de reconhecimento facial no equipamento.

Os autores deste dispositivo – cujo preço é, pelo menos, R$ 300 mais barato que os já vendidos no mercado – são três jovens de 19 anos, vindos do interior do Estado (Pedro Osório, São Lourenço do Sul e Arroio Grande) e estudantes do curso técnico em eletrônica do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), campus Pelotas.

Com a invenção, que deve ser instalada entre a chave de partida do veículo e o restante do sistema de ignição, Augusto Silva, Felipe Pinz e Jarbas Carriconde comemoram a premiação do projeto na 12ª Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), realizada em São Paulo no último fim de semana. A conquista do título de excelência científica, concedido pela Associação Brasileira de Incentivo à Ciência (Abric), garante vaga para a Feira Nordestina de Ciências e Tecnologia, marcada para setembro, em Recife.

Até lá, trabalho incansável para aprimorar o protótipo. Em princípio, funciona assim: um display LCD informa ao motorista o instante em que deve soprar no bafômetro. Se estiver embriagado, a quantidade de álcool detectada é mostrada em um sequencial de LEDs e o veículo não poderá ser acionado.

Em vídeo, veja como o equipamento funciona:


Para tornar o dispositivo à prova de fraude, os jovens estão implementando um sistema de reconhecimento facial, que já deve estar funcionando até o próximo evento.

— Assim a gente evita que o motorista espertinho pegue o hálito sóbrio de alguém emprestado — afirma o orientador do projeto, Rafael Galli.

A intenção de desenvolver o aparelho surgiu quando um colega se acidentou devido à combinação entre álcool e volante. 

— Pensamos em algo que possa reduzir os acidentes ocasionados pela bebida. Nossos pais, que trabalham no transporte de cargas, também se preocupam com isso — conta Silva.

Proposta busca reduzir o número de acidentes 

Segundo informações do Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran/RS), no ano passado foram registradas mais de 21 mil infrações relacionadas ao consumo de bebidas alcoólicas antes de dirigir. Em 2014, esse número está beirando os 4 mil.

A verba para o material usado na produção do bafômetro veio do laboratório onde o produto foi desenvolvido, de doações de lixo eletrônico e até do bolso de alunos e professores. A luta dos inventores agora é colocar no mercado o equipamento, cujo custo está estimado em R$ 400.

De acordo com o professor Igor Barros, que supervisionou o projeto, o bafômetro pode ter grande aceitação nas empresas de transportes, já que possibilita o controle dos motoristas – e evita prejuízos financeiros e de pessoal.

Os jovens inventores buscam patrocínio para dar início ao processo de patente, cujo investimento é de R$ 9 mil, e empresas que se interessem em fabricar o bafômetro. Se até o fim do ano não conseguirem, já pensam no plano B: abrir uma empresa.

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