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27 de mar de 2014

Apesar da lei seca, 30% dos jovens já dirigiram depois de beber no Brasil

Cármen Guaresemin
Do UOL, em São Paulo

Quase um terço das mulheres com até 25 anos já pegaram carona com um motorista alcoolizado
Quase um terço das mulheres com até 25 anos já pegaram carona com um motorista alcoolizado.
Apesar do recente endurecimento da lei sobre álcool e direção no país, 30% dos homens com até 25 anos dirigiu depois de beber pelo menos uma vez no último ano. É o que mostra o 2º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), divulgado nesta quarta-feira (26) pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 
Embora a prática seja bem menos frequente entre as mulheres jovens (4% declararam ter dirigido depois de beber), quase um terço delas já pegou carona com um motorista alcoolizado. O dado mostra que a prática expõe tanto homens quanto mulheres a risco. 
A pesquisa mostra que os adolescentes de ambos os sexos começam a beber com pouco menos de 15 anos. E um quarto da população menor de idade bebe. Considerando a faixa etária até 25 anos, praticamente metade consome álcool, indica o levantamento.
Dos jovens que relataram beber, grande parte faz uso em forma de "binge", ou seja, consome muito (quatro doses ou mais para mulheres, e cinco doses ou mais para homens) em um curto espaço de tempo (cerca de duas horas). Mais de um terço (36%) bebe dessa forma toda semana
"Não se trata daquele 'beber socialmente'. É um tipo de comportamento que pode levar a uma série de problemas. É interessante notar que a bebida mais consumida é a cerveja e, nas propagandas, as pessoas aparecem sempre como se estivessem consumindo uma quantidade pequena", diz a psicóloga Ilana Pinsky, doutora em psiquiatria e uma das responsáveis pelo Lenad.
Os jovens relataram iniciar o consumo de tabaco aproximadamente na mesma idade em que começaram a beber – por volta dos 15 anos. Por conta das várias políticas públicas na área, o consumo de cigarro vem se reduzindo ano a ano nas últimas décadas. Todavia, os pesquisadores consideram preocupante que cerca de 5% dos meninos menores de 18 anos e quase 18% dos homens jovens com idade entre 18 e 25 anos ainda fume.



Teste seus conhecimentos sobre o uso medicinal da maconha

O teste a seguir foi criado com a colaboração do médico psiquiatra Ricardo A. Amaral, professor colaborador do Departamento e Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e do médico especialista em psicofarmacologia Elisaldo Carlini, criador do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)


Drogas ilícitas
O Lenad também mostrou que a maconha é, de longe, a droga ilícita mais consumida no Brasil, sendo que 5% da população de 14 a 25 anos usou a substância no último ano - 8,3% dos homens contra 1,4% das mulheres. 
Além da maconha, o Brasil está entre os países com maior consumo de cocaína, sendo que mais de 2% da população geral usou a droga no último ano. Entre os jovens, o dado é ainda mais preocupante: quase 5% dos homens e 2% das mulheres de 14 a 25 anos consumiram cocaína no último ano. 
A Unifesp destaca que, entre as mulheres jovens, o consumo de cocaína é mais comum que o de maconha, fenômeno que é raramente observado em outros países. 
O psiquiatra Ronaldo Laranjeira, coordenador do estudo, frisa os impactos sociais e comportamentais que o vício em drogas traz às famílias: "Precisamos lembrar que um usuário de drogas acaba envolvendo, em média, quatro membros de sua família nesta situação, o que representa milhões de pessoas".
O Lenad contou com 4.600 entrevistados com 14 anos ou mais de 149 municípios brasileiros. As entrevistas consideraram o uso no ano anterior à pesquisa, que foi feita em 2012. "A amostragem foi feita de forma aleatória, qualquer pessoa poderia ser escolhida. Entrevistamos pessoas de até 25 anos porque, hoje em dia, acreditamos que há muitas cuja adolescência se estendeu até por volta desta idade", explica Pinsky.

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Consumo "recreativo" de drogas não traz prejuízos a longo prazo? PARCIALMENTE VERDADE: os prejuízos vão depender do tipo de droga e de quão eventual é esse consumo "recreativo". "É muito tênue o limite entre o "recreativo" e o vício. Além disso, mesmo o consumo eventual pode provocar acidentes e levar ao sexo desprotegido", afirma a psiquiatra Camila Magalhães, do Grupo de Estudos de Álcool e Drogas do Hospital da Clínicas da USP. Também é preciso levar em conta que cocaína, heroína e crack viciam com facilidade e, portanto, é difícil manter um consumo apenas "recreativo"Leia mais Paulo Whitaker/Reuters

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