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3 de jan de 2014

Como se caísse um avião com 379 pessoas a bordo

De tanto contar mortos em acidentes — ou em crimes de trânsito —, os brasileiros parecem anestesiados. Entre o dia 20 de dezembro e a manhã desta quinta-feira, morreram 379 pessoas nas estradas federais — e nós temos que nos dar por satisfeitos, porque esse número é 9,7% inferior ao do mesmo período do ano passado. A ele somam-se os acidentes nas estradas estaduais e nas vias urbanas. Só nas rodovias estaduais gaúchas foram 11 mortos no mesmo período.
Fiquemos, pois, com os 379 mortos nas rodovias federais. É como se caísse um dos maiores aviões em operação no mundo e quase ninguém desse atenção. Porque o avião é um dos meios de transporte mais seguros, um acidente choca, comove e desencadeia uma investigação profunda para identificar as causas e impedir que o problema se repita. Os mortos no trânsito não resultam em uma foto de caixões enfileirados _ exceto quando o acidente envolve ônibus _ e acabam sendo tratados com a frieza das estatísticas: são 6.651 acidentes com 379 mortos, o que dá 41 vítimas fatais a menos do que em 2012.
Somos induzidos a achar que o número é bom, porque, afinal, a curva é decrescente. Além da redução em números absolutos, houve queda proporcional em relação aos veículos emplacados. Em 2012, foram 97,13 acidentes por milhão de veículos. Em 2013, baixou para 81,4 por milhão. Poderia ter sido pior, é verdade, mas os números são péssimos. Só nas estradas federais, 4.352 pessoas ficaram feridas. Isso é coisa que se comemore?
Desse batalhão de feridos, parte ainda corre o risco de morrer em consequência das lesões, outros ficarão incapacitados para o trabalho ou terão projetos interrompidos.
Quando se abrem os dados, fica claro que boa parte das mortes ocorreu por imperícia ou imprudência. Foram 83 em colisões frontais, 30 em saídas de pista, 24 por atropelamento, 17 em colisão transversal e 14 em capotamentos. O número de motoristas flagrados alcoolizados ou sem habilitação sugere que o caminho para reduzir os acidentes passa pela fiscalização e pela aplicação de multas, como fazem os países que conseguiram vencer a guerra do trânsito.

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