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17 de out de 2012

Especialistas dão dicas para usar melhor o tempo no engarrafamento


Em Salvador, os engarrafamentos tiram qualquer um do sério. Mas é possível utilizar o tempo retido no tráfego de forma inteligente e saudável.


Leo Barsan
leo.barsan@redebahia.com.br

O trânsito está lento nos dois sentidos da Paralela. Na orla, o fluxo é intenso. Evite a região do Iguatemi. A Bonocô, é bom não pegar. E na Vasco da Gama? Tudo travado.

Quem vive em Salvador conhece a situação acima. De acordo com uma amostra do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a capital baiana é a terceira do país em tempo gasto no deslocamento para o trabalho - média de mais de uma hora só de ida.  Então, fica a pergunta: os engarrafamentos são sempre inúteis, correto? Nem sempre.



Veja o que diz o especialista em produtividade Christian Barbosa: “O caminho é transformar cada vez mais o carro em uma segunda casa. Hoje, nas metrópoles, passamos cerca de um mês por ano no carro. Já que estamos lá, o melhor é aproveitar o tempo para fazer algo pela carreira ou pela vida pessoal”.

Segundo Barbosa, o condutor deve ter sempre uma opção para relaxar, ouvir cursos em audiolivros, organizar a agenda ou gravar boas ideias para não esquecer.

“Estudar línguas usando CDs pode ser uma ótima saída, já que muita gente se queixa da falta de tempo. Os audiolivros podem ser uma boa ajuda para acelerar a lista de títulos pendentes de leitura”, comentou Christian.
E que tal transformar seu carro numa pequena academia? O psiquiatra especializado em hipnose dinâmica e medicina psicossomática Leonard Verea orienta que os motoristas podem recorrer à ginástica isométrica (um método de contrações musculares localizadas).

“As pessoas estão muito estressadas, cansadas e sem paciência. A ideia é aproveitar o tempo no trânsito para recuperar a energia, e fazer uma atividade física ajuda a relaxar. Um exercício simples é contrair os músculos abdominais o máximo que puder”, indicou Verea. 



Na onda dos especialistas, a estudante de Direito Marília Andrade, 23 anos, sabe bem como aproveitar as quatro horas diárias que ‘perde’ no trânsito. “Como faço estágio em dois lugares, gravo as aulas da faculdade no celular e escuto no som do carro. Também gravo reuniões com clientes do escritório”, conta ela.

As questões particulares também ganham atenção no congestionamento. “Quando perguntam qual o melhor horário pra ligar pra mim, digo que é quando estou no engarrafamento”, admite Marília, fazendo questão de dizer que só fala via bluetooth (conexão sem fio entre dispositivos).

Ideias
Para o funcionário público Hilton Santos, 50, os congestionamentos aguçam a criatividade. “Como ministro palestras, algumas ideias surgiram exatamente no engarrafamento. Peguei a caderneta e anotei. Quando me desloco, concentro nos enfoques que vou dar. Prefiro até desligar o som do carro”, diz.

O analista de sistemas Osnildo Soares, 41, já chegou a levar mais de três horas entre Periperi e o Centro Administrativo da Bahia (CAB), onde trabalha. Por isso, faz do carro um ambiente cultural.

“Deixo acessórios que possam ser usados com o carro sem movimento. Um vasto repertório de músicas, alguns livros e acesso à internet. Mas leitura e internet, só quando o trânsito está absolutamente parado”, afirma.

Segundo Christian Barbosa, que é considerado o maior especialista em gestão de tempo e produtividade no Brasil, independentemente da atividade realizada, é essencial focar na segurança. “Se for perder a atenção, a pessoa deve se conformar em apenas ouvir música. Ou, então, pega uma carona”, diz. 

O especialista lembra ainda que a tecnologia pode ajudar: “Se pretende fazer ligações no trânsito, o ideal é ter um bluetooth. Dá pra fazer até conferências”, explicou Christian.

Para além da ginástica isométrica, o psiquiatra Leonard Verea tem outra dica: “Dá para aproveitar o trânsito e conhecer mais a cidade. Quantas coisas passam despercebidas porque as pessoas só andam estressadas? O trânsito está lotando os consultórios psiquiátricos”.

E não para por aí. “Sabe aquela conversa que você tem com o vizinho ou a vizinha no elevador? Transfira para o trânsito. Por que não? Dá até para paquerar. Quando meus funcionários querem falar comigo e não posso ser interrompido, convido depois para dar uma volta de carro na cidade e a gente pode conversar”, concluiu Verea.




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