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28 de set de 2012

Carta à Presidenta Dilma



A presidente Dilma Rousseff lançou há poucos dias - durante a semana do trânsito - uma campanha pela conscientização no trânsito, em cerimônia com a presença de pessoas que sofreram acidentes de trânsito, esportistas e artistas. A campanha é permanente, tem ações para conscientizar os motoristas e reduzir acidentes e mortes. As atividades integram o Pacto Nacional pela Redução de Acidentes

Com as ações, o governo busca atingir a meta firmada pela Organização das Nações Unidas (ONU) de reduzir em 50% os óbitos decorrentes de acidentes no trânsito entre 2011 e 2020. Em 2010, a ONU proclamou o período citado como Década Mundial de Ação pela Segurança no Trânsito.

A presidente Dilma Rousseff disse que governo e a sociedade devem cooperar para que o desenvolvimento econômico do Brasil não traga apenas bens materiais e mais veículos para as ruas, mas também o fortalecimento dos valores de preservação da vida. E registrou que a indústria automobilística também deve se empenhar para elevar o padrão de segurança.

Aproveitando o ensejo, escrevi artigo intitulado CARTA À PRESIDENTA DILMA, que foi publicado hoje, 28/09/2012, no Jornal O ESTADO, cujo inteiro teor reproduzo abaixo:

"Excelentíssima Senhora Presidenta Dilma Rousseff,

Salvo por uma ou outra nota auspiciosa no noticiário brasileiro, penso que, no geral, a política e o trânsito não têm nos proporcionado alegrias. Apesar disso, fiquei muito feliz e esperançoso em presenciar Vossa Excelência, a mais alta autoridade política brasileira, se pronunciando, nos últimos dias, a respeito dele mesmo, o nosso trânsito. 

Não se olvida que Vossa Excelência é altamente bem assessorada e que não seria o caso de aqui se mencionar números e estatísticas, porém, não posso deixar de observar, mais de 42 mil mortes no trânsito em apenas um ano é um número alarmante! As pessoas não estão morrendo no trânsito, Excelentíssima Senhora Presidenta, elas estão sendo assassinadas. O que se tem, na maioria dos casos, são homicídios perpetrados por criminosos do volante e pela omissão do Estado – e é notório que a ação dos primeiros é encorajada pela inação do segundo. 

É bastante oportuna a colocação de Vossa Excelência quando observa que, estando o Brasil em constante crescimento, não se “pode deixar de trabalhar conjuntamente valores éticos e morais, que preservam a vida”, para que não nos tornemos uma sociedade somente de bens materiais. A situação é trágica e as ações pontuais há muito não são suficientes. Eis porque, além de conveniente, é alentadora uma “campanha permanente de conscientização no trânsito”, sobremaneira quando o lançamento dela é capitaneado pela Dirigente Maior do País, mediante um expressivo chamamento à civilidade e à solidariedade cidadãs no trânsito. 

No entanto, não me custa opinar que o êxito (ou o fracasso) da recém-lançada investida contra a violência no trânsito dependerá muito do exemplo a ser dado pelo Estado, o qual deve servir de paradigma, cumprindo com as obrigações que lhe cabem e deixando claro para a população que a fala da Presidenta da República, no lançamento da ação preventiva permanente, não foi apenas mais um discurso. 

Aqui no Nordeste é comum se dizer que por falta de um grito perde-se uma boiada. Entendo que a ocasião é, também, propícia para que os gestores dos órgãos e das entidades do Sistema Nacional de Trânsito sejam advertidos. Os do CONTRAN e os do DENATRAN, em especial, talvez careçam ouvir, dito em voz alta pela Presidenta do País, que eficiência na gestão do trânsito é o mínimo que deles se espera. 

Vossa Excelência conta com o meu voto de confiança e o desafio tem, desde já, a minha modesta adesão. Quanto aos eventuais resultados da campanha, calha valer-me dos versos de Ivan Lins, onde lembra que “depende de nós, se esse mundo ainda tem jeito, apesar do que o homem tem feito, se a vida sobreviverá”. 

Cônscio de que nenhum ator social pode se esquivar de assumir responsabilidades pela segurança no trânsito, aposto nessa relação de solidariedade com a vida.

Respeitosamente,

Luís Carlos Paulino – apenas mais um brasileiro sujeito de direitos e deveres no trânsito".

Um comentário:

  1. Excelente, talvez com alerta como esse desperte a Presidenta para inoperância e omissão dos órgãos do SNT. Vale também lembrar que os fabricantes das "máquinas de fazer defunto", as motos, sejam também chamados a responsabilidade pelos seus atos de vender esse equipamento mortal e não fornecer sequer as orientações mais simples de sobrevivência aos menores, analfabetos e inabilitados, seus maiores clientes.
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