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29 de set de 2012

Dar “dicas” ou fazer “provocações”?

postado em 25/08/2012 06:14 por Fábio de Cristo   25/08/2012 16:49 atualizado‎(s)‎ ]


Fonte: http://kalvikalanjiam.com/english/what-know-our-company-interview-tips/
Ao final da uma entrevista, um jornalista
pediu dicas sobre o que seus leitores deviam
fazer para deixar o trânsito da cidade
melhor. O entrevistado pensou um pouco e,
por achar mais apropriado ao público,
resolveu que, em vez de dar dicas, faria
algumas provocações, isto é, colocaria
questões para serem pensadas. Assim foi
feito. A entrevista foi encerrada.

No dia seguinte, inconformado, o jornalista
ligou novamente: “– Professor, muito
obrigado pela sua colaboração; adorei as
provocações. Entretanto, será que o senhor
não poderia dizer algumas coisas práticas para o nosso leitor? Será que não podemos dizer
para eles seguirem o código de trânsito...? O que o senhor acha...?”.

Dar dicas, fazer “provocações” são estratégias distintas que os formadores de opinião devem
ter clareza para aplicá-las com proveito.

As dicas têm a sua importância, especialmente quando relacionadas a situações menos
frequentes ou procedimentos com maior nível de complexidade, como por exemplo, instalar a
cadeirinha infantil e prestar os primeiros-socorros ao acidentado. Estas situações são
incomuns para muita gente e, portanto, dicas e instruções são bem-vindas. 


http://www.bemparana.com.br/noticia/211190/cultura-revitalizacao-do-guaira
Dar dicas fundamenta-se na seguinte ideia: se
as pessoas conhecerem as normas de trânsito,
logo se comportarão corretamente, de
maneira segura. Todavia, nem sempre este
raciocínio está correto, conforme demonstra o
assim como outras imagens na internet.

Quando são muito elementares ou muito
gerais – como, “dizer que eles sigam o código
de trânsito” –, dependendo do nível de
conhecimento do público a que se destinam,
as dicas podem não ser atrativas, motivadoras. Enfim, não agregam conhecimento por que
são indiferentes às pessoas que recebem. Não raro, elas produzem, inclusive, uma reação
aversiva. Quem já não ouviu ironias do tipo: “– Ôxe, e precisava de um especialista só pra
dizer isso?!”.

Até quando, então, os formadores de opinião e alguns de nós, ditos especialistas, vamos

continuar subestimando a inteligência das pessoas? Convém reconhecer que muitos cidadãos,
de fato, sabem o que fazer – se não fazem, são por outras razões.

A legislação de trânsito no Brasil tem mais de 100 anos de existência. Nesse período, três

códigos ajudaram organizar nossos deslocamentos (1941, 1966 e 1997). Muitas regras foram
naturalmente incorporadas no nosso cotidiano, seja por meio das aulas na escola ou autoescola
, seja por meio das experiências cotidianas... Talvez por isso, as dicas soam, às vezes, como se
quiséssemos “ensinar o padre a rezar missa” ou “ensinar o padre-nosso ao vigário”, como se
diz popularmente.

A estratégia da “provocação”, por sua vez, no melhor sentido da palavra, se refere aqui a

promover, estimular, motivar alguma reação positiva que se reflita no comportamento no
trânsito.

Sua importância reside, por exemplo, na possibilidade de produzir, de modo mais eficiente,

uma incompatibilidade ou inconsistência entre uma nova informação e o que o leitor conhece
ou faz. Na psicologia, tal inconsistência é chamada de dissonância cognitiva. (A psicologia
tem palavras complicadas mesmo).

Dito de outra maneira, assim como a fome faz com que busquemos saciá-la, nós também

temos a tendência de buscar resolver a dissonância estabelecida entre o que pensamos e
sentimos ou entre o que acreditamos e fazemos.
Na narrativa acima, é possível argumentar que o jornalista
entrou em dissonância, quer dizer, em conflito consigo por que
as informações que ele recebeu (provocações) não eram as que
ele almejava (dicas). Um desconforto psicológico, então, foi
estabelecido, motivando a busca para reduzi-lo ou eliminá-lo.
Resultado: ele agiu; ligou novamente no dia seguinte.

A provocação pode ser mais interessante do que as dicas,
especialmente nos tempos atuais, em que as pessoas estão cada
 vez mais escolarizadas, conhecedoras dos seus direitos e,
portanto, com a capacidade crítica mais aguçada.

Os jornais cumprem um papel esclarecedor importante sobre o comportamento no trânsito.
Nesta seara, a dissonância cognitiva tem um valor que não deve ser desprezado. Se bem
compreendida e empregada, a dissonância pode ser capaz de produzir autorreflexão e fazer as
 pessoas se esforçarem para buscar coerência rumo ao comportamento seguro no trânsito.

Amigo leitor, diante do que foi dito, peço agora que tente construir sua resposta sobre qual é a
 melhor estratégia: dar “dicas” ou fazer “provocações”? (Sim, estou tentando deixá-lo em
dissonância!).


Para saber mais:
Festinger, L. (1957). A theory of cognitive dissonance. California: Stanford University Press.
 Disponível parcialmente aqui.

28 de set de 2012

Carta à Presidenta Dilma



A presidente Dilma Rousseff lançou há poucos dias - durante a semana do trânsito - uma campanha pela conscientização no trânsito, em cerimônia com a presença de pessoas que sofreram acidentes de trânsito, esportistas e artistas. A campanha é permanente, tem ações para conscientizar os motoristas e reduzir acidentes e mortes. As atividades integram o Pacto Nacional pela Redução de Acidentes

Com as ações, o governo busca atingir a meta firmada pela Organização das Nações Unidas (ONU) de reduzir em 50% os óbitos decorrentes de acidentes no trânsito entre 2011 e 2020. Em 2010, a ONU proclamou o período citado como Década Mundial de Ação pela Segurança no Trânsito.

A presidente Dilma Rousseff disse que governo e a sociedade devem cooperar para que o desenvolvimento econômico do Brasil não traga apenas bens materiais e mais veículos para as ruas, mas também o fortalecimento dos valores de preservação da vida. E registrou que a indústria automobilística também deve se empenhar para elevar o padrão de segurança.

Aproveitando o ensejo, escrevi artigo intitulado CARTA À PRESIDENTA DILMA, que foi publicado hoje, 28/09/2012, no Jornal O ESTADO, cujo inteiro teor reproduzo abaixo:

"Excelentíssima Senhora Presidenta Dilma Rousseff,

Salvo por uma ou outra nota auspiciosa no noticiário brasileiro, penso que, no geral, a política e o trânsito não têm nos proporcionado alegrias. Apesar disso, fiquei muito feliz e esperançoso em presenciar Vossa Excelência, a mais alta autoridade política brasileira, se pronunciando, nos últimos dias, a respeito dele mesmo, o nosso trânsito. 

Não se olvida que Vossa Excelência é altamente bem assessorada e que não seria o caso de aqui se mencionar números e estatísticas, porém, não posso deixar de observar, mais de 42 mil mortes no trânsito em apenas um ano é um número alarmante! As pessoas não estão morrendo no trânsito, Excelentíssima Senhora Presidenta, elas estão sendo assassinadas. O que se tem, na maioria dos casos, são homicídios perpetrados por criminosos do volante e pela omissão do Estado – e é notório que a ação dos primeiros é encorajada pela inação do segundo. 

É bastante oportuna a colocação de Vossa Excelência quando observa que, estando o Brasil em constante crescimento, não se “pode deixar de trabalhar conjuntamente valores éticos e morais, que preservam a vida”, para que não nos tornemos uma sociedade somente de bens materiais. A situação é trágica e as ações pontuais há muito não são suficientes. Eis porque, além de conveniente, é alentadora uma “campanha permanente de conscientização no trânsito”, sobremaneira quando o lançamento dela é capitaneado pela Dirigente Maior do País, mediante um expressivo chamamento à civilidade e à solidariedade cidadãs no trânsito. 

No entanto, não me custa opinar que o êxito (ou o fracasso) da recém-lançada investida contra a violência no trânsito dependerá muito do exemplo a ser dado pelo Estado, o qual deve servir de paradigma, cumprindo com as obrigações que lhe cabem e deixando claro para a população que a fala da Presidenta da República, no lançamento da ação preventiva permanente, não foi apenas mais um discurso. 

Aqui no Nordeste é comum se dizer que por falta de um grito perde-se uma boiada. Entendo que a ocasião é, também, propícia para que os gestores dos órgãos e das entidades do Sistema Nacional de Trânsito sejam advertidos. Os do CONTRAN e os do DENATRAN, em especial, talvez careçam ouvir, dito em voz alta pela Presidenta do País, que eficiência na gestão do trânsito é o mínimo que deles se espera. 

Vossa Excelência conta com o meu voto de confiança e o desafio tem, desde já, a minha modesta adesão. Quanto aos eventuais resultados da campanha, calha valer-me dos versos de Ivan Lins, onde lembra que “depende de nós, se esse mundo ainda tem jeito, apesar do que o homem tem feito, se a vida sobreviverá”. 

Cônscio de que nenhum ator social pode se esquivar de assumir responsabilidades pela segurança no trânsito, aposto nessa relação de solidariedade com a vida.

Respeitosamente,

Luís Carlos Paulino – apenas mais um brasileiro sujeito de direitos e deveres no trânsito".

Pesquisa revela que um a cada três jovens dirige sob efeito de álcool


54% dos acidentes foram causados por jovens entre 18 e 35 anos. Levantamento considera período de agosto de 2011 a junho de 2012.


Uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) mostra um dado preocupante: um em cada três universitários faz uso de bebidas alcoólicas e saem de carro depois, o que tem contribuído para o crescente número de acidentes de trânsito envolvendo jovens. De acordo com o levantamento de uma seguradora, 54% dos acidentes entre agosto de 2011 e junho de 2012 foram causados por jovens entre 18 e 35 anos. Uma das explicações para esses números é a imprudência, mas o risco aumenta quando se combina a direção com bebidas alcoólicas.
A realidade pode ser confirmada em todos os plantões da Santa Casa. Segundo o médico traumatologista Ricardo de Castro, os jovens têm abusado cada vez mais e têm sofrido mais acidentes. “Cada vez mais eles chegam alcoolizados após um acidente de trânsito, como causador ou vítima do acidente”, disse Castro. “Com isso, a gravidade das fraturas e as sequelas aumentam”, completou.
Acidentes de trânsito é maior entre joves que bebem e dirigem (Foto: Wilson Aiello/EPTV)
Acidentes de trânsito é maior entre os jovens que
bebem (Foto: Wilson Aiello/EPTV)
Alguns estudantes contam que já dirigiram embriagados. Um deles teve o carro destruído em um acidente após ter bebido. “Eu bati na traseira de outro carro e destruí os dois. Honestamente não me lembro muito bem como aconteceu, só acordei na delegacia da polícia”, contou Daniel Corbo, estudante de engenharia de materiais. Agora dizem que tomam mais cuidado, alugam vans para ir e voltar das festas ou elegem alguém que não vai beber para ser o motorista.
Dados da PM
Segundo dados da Polícia Mlitar, no ano passado, 14 mil motoristas, não só jovens, mas de todas as idades, foram autuados no Estado de São Paulo por dirigirem sob efeito do álcool. Desses, 2,7 mil e foram presos em flagrante. Neste ano, só até agosto, foram 19 mil autuações e 2,3 mil prisões de motoristas que dirigiam embriagados.

Fonte: 

Câmara analisa propostas que educam crianças e motoristas


TV Câmara
Transporte - Fiscalização - Radar - Radares rodoviários
Parlamentares querem investir na educação de crianças e jovens - além de motoristas - para evitar acidentes.
O deputado José Stédile (PSB-RS) acredita que o desrespeito às regras de trânsito está associado, em 99% dos casos, ao sentimento de impunidade provocado pela falta de fiscalização e não necessariamente pela falta de punições mais severas.
O parlamentar defende investimentos em programas de educação e conscientização de crianças. “Tivemos excelentes resultados com programas desse tipo na época em que fui prefeito de Cachoeirinha (RS). Os filhos ajudam a controlar a direção dos pais”, argumenta Stédile, que é autor do Projeto de Lei 3726/12, que regulamenta a profissão de técnico em segurança do trânsito. “Seriam profissionais específicos para pensar em soluções viáveis para o trânsito”, explica.


Outro texto (PL 4952/09) em tramitação na Câmara, do deputado Nelson Bornier (PMDB-RJ), cria o programa "Segurança no Trânsito" em todas as escolas públicas e privadas. As aulas serão obrigatórias para os alunos do último ano do ensino fundamental.

A proposta prevê uma série de atividades educativas voltadas à prevenção de acidentes de trânsito, para o estudante adquirir hábitos corretos e assimilar princípios de direção defensiva, além de noções de primeiros socorros.

Esse tipo de programa já existe em países europeus e em alguns estados norte-americanos com resultados satisfatórios. Segundo a médica e diretora-geral de Trânsito da Espanha, María Seguí Gómez, que participou em julho do Congresso Internacional de Trânsito, em Porto Alegre (RS), o segredo para reduzir as mortes no trânsito é a atuação conjunta de todos os órgãos que têm competência para tratar da matéria.
Segundo María, a redução das mortes na Espanha se deve basicamente ao aumento da fiscalização e do número de guardas nas ruas, ao rigor da legislação e a mudanças na formação de condutores.
A França também conseguiu reduzir em 75% - de 1972 a 2008 - as mortes no trânsito a partir de mudanças nas leis, que determinaram, por exemplo, o uso de vias específicas para motocicletas.





Direção defensiva
Outra proposta que tem com foco melhorar a formação de condutores é o Projeto de Lei3322/08, do deputado Chico Alencar (Psol-RJ). O texto, que aguarda votação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, altera o Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/97) para incluir dois novos módulos no curso de formação de motorista, ambos envolvendo direção defensiva. O primeiro trata das repercussões sociais e econômicas dos acidentes de trânsito, e o segundo da manutenção e segurança veicular.

Verbas contingenciadas
Os deputados também chamam atenção para o contingenciamento orçamentário dos recursos do Fundo Nacional para Segurança e Educação no Trânsito (Funset), formado por 5% das multas arrecadadas no País, o que segundo eles dificulta a destinação de verbas para ações importantes.

26 de set de 2012

Congestionamento e lentidão do trânsito, repercussão na saúde e comportamento.



                    Dr. Dirceu Rodrigues Alves Jr.

Os engarrafamentos e as lentidões do trânsito nas grandes cidades parecem motivo para avaliação detalhada por parte da engenharia e medicina de tráfego. A sensação de perda da liberdade sofrida pelo cidadão é capaz de levar-lhe a distúrbios de comportamento com consequências imprevisíveis.

Não temos dados oficiais. Sabemos que o aumento dos congestionamentos e lentidões do trânsito se intensificaram muito, e logicamente sem ações preventivas, o número de lesões corporais multiplica-se de maneira assustadora.

Preocupado com as manifestações psicoemocionais dos indivíduos dentro da sociedade, devido à perda total da liberdade, resolvi interrogá-los com objetivo de avaliar sinais e sintomas bem como exame físico.

Observamos que as descargas adrenérgicas geraram taquicardia, extrassítoles, hipertensão arterial, epigastralgia, náuseas, sudorese, irritabilidade e agressividade. Os portadores de doenças cardiocirculatórias e digestivas tinham suas sintomatologias exacerbadas, os que vinham fazendo psicoterapia estavam descompensados.

Tivemos oportunidade de levantar alguns incidentes de engarrafamento. Todos envolviam pessoas tensas, apressadas e ansiosas. Nas entrevistas concluímos tratar-se de fóbicos do trânsito, do engarrafamento, dos obstáculos do dia a dia das grandes cidades. Tais fatores psicoemocionais transformados em sinais e sintomas orgânicos faziam apresentar queixas e consequentemente o uso de alguma droga caseira para aliviar. Isto gera um custo em dinheiro muito grande caracterizado não só pelo desperdício de combustível, desgaste de motores, mas também pelo dano físico e psicoemocional.

Poucos são aqueles que não se impacientam num engarrafamento. O desconforto de não ter o seu trânsito livre, de não poder ir e vir, de se sentir acuado no meio de ferros, gente, gases, vapores, ruído e fumaça, leva o indivíduo a manifestações ansiosas, passando a ter distúrbios de comportamento tornando-se negligente, imprudente e agressivo. E se imaginarmos que os engarrafamentos nas grandes cidades são diários, ocorrendo duas vezes por dia e que nos momentos de pico envolvem milhares de veículos, como na cidade de São Paulo, acreditamos que ninguém sairia de casa ou do trabalho para dirigir um veículo.

O problema é tão grave que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) fez um estudo do trânsito nas grandes cidades, já que tem afetado a produtividade. O custo benefício do transporte feito desta forma é extremamente negativo. Os prejuízos não param por ai. Estudo feito pela CETESB estima que para uma queda de 12,5 km/h na velocidade média dos automóveis em uma corrente de tráfego, há um aumento médio de 20% no consumo de combustível, de 25% nas emissões de monóxido de carbono e de 20% nas de hidrocarbonetos.

Os números tornam-se mais significativos quando expressos em reais. Deixa-se de faturar R$ 5,2 bilhões por ano na cidade de São Paulo em decorrência desse trânsito que não anda. Tal quantia daria para expandir o metrô.

O medo de ficar acuado, impossibilitado de se movimentar em qualquer direção, somado as preocupações e horários a serem cumpridos no dia a dia conduz o indivíduo a perda do humor, irritabilidade, e extrema agressividade. Como se não bastasse entram outros fatores metereológicos caracterizados pelo calor, frio, sol, chuva, neblina, etc.. Tudo ocorrerá para o aumento do desgaste físico e mental, gerando ao longo do tempo sensações desconfortáveis. Dependendo das características individuais tais fatores serão mais ou menos evidentes. Não se pode entender como duas pessoas cada uma em seu veículo ao esbarrarem-se ou tocarem-se sejam capazes de discutirem, ofenderem-se e partirem para o corpo a corpo buscando destruir o companheiro de infortúnio no tráfego. Isso é verdadeiro, existe uma doença conhecida como “Transtorno Explosivo Intermitente” (TEI), conhecido vulgarmente como “Pavio Curto” e ainda “Sociopatias” e “Transtorno Obsessivo Compulsivo” (TOC), capazes de transformar o desconforto em agressividade, partindo muitas vezes para o corpo a corpo e a utilização de armas.

Soluções inteligentes e imediatas precisam ser tomadas para proteger o cidadão, reduzindo-se as patologias psiquiátricas, psicológicas e psicossomáticas no trânsito nos grandes centros, que estimamos corresponder de 13 a 17%.

A condição insegura apresentada no engarrafamento caracterizada pelos riscos físico, químico, biológico e ergonômico nos leva a disseminar a idéia de horários de pegada e saída do trabalho diferenciados, acabando-se com os horários de pico.

A execução e controle de tal condição insegura cabem ao município, aos órgãos competentes, mas não podemos deixar de alertar sobre os riscos de condição insegura para a saúde de todos os habitantes dos grandes centros. Torna-se fundamental e urgente a necessidade de investimento num sistema adequado de transporte, já que isto refletirá na produtividade e qualidade de vida de todos nós.


Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior.
Diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da ABRAMET
Associação Brasileira de Medicina de Tráfego

25 de set de 2012

Palestra sobre Educação para a Segurança do Trânsito, em São Lourenço do Oeste - SC

video

Depoimento da mãe de uma vítima da violência viária.apresentado antes da palestra de Educação para o Trânsito, que realizei no município de São Lourenço do Oeste - SC - Dia 19 de setembro de 2012.


Fotos da Palestra





Os bastidores do abuso de velocidade

Assessoria de Imprensa Perkons

''A velocidade é uma barra de ferro. Quanto mais rápido, maior a espessura da barra. Tente dobrá-la agora. Essa é a possibilidade de um carro em alta velocidade frear'', diz especialista

    Em 2012, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) definiu como tema de sua campanha da Semana Nacional de Trânsito (18 e 25 de setembro) 'Década Mundial de Ações para a Segurança do Trânsito – 2011/2020: Não exceda a Velocidade, Preserve a Vida'. Mas, mesmo assistindo a desastres no trânsito repetidamente, o comportamento do motorista insiste na consciência de coletiva de que ‘não vai acontecer comigo’.

    A partir disso, o motorista abusa da velocidade, associa bebida à direção e faz da imprudência o argumento de bravura ao volante, questionando, inclusive, a lei e os avisos de velocidade máxima permitida, fiscalização eletrônica e outros dispositivos de mobilidade segura. A Perkons foi conversar com Creso de Franco Peixoto, professor da Unicamp, mestre em Transportes e projetista de sistemas viários, para compreender melhor o papel de cada um dos dispositivos e da padronização de velocidade máxima das vias brasileiras. Acompanhe:

- Qual a importância de respeitar a velocidade máxima das vias?

    Minimizar o risco de acidentes rodoviários. Diminuir a chaga imensa que assola nosso país motorizado. Por sua vez, minimizar o sofrimento humano. Atrás do palco do acidente há todo um conjunto de ações desencadeadas. Perda de capital veicular, mobiliário viário, congestionamento pós-acidente, custos de socorro, de internação e de fisioterapias intermináveis. Cadeiras de roda, taxas de manutenção de jazidos que apenas deveriam ser usados na longeva idade. Uma verdadeira coxia de sofrimento de parentes e amigos em primeiro momento. Famílias sem sustento, pais sem esperança da continuidade. Para evitar tudo isto? Conscientização, em campanhas educacionais com recursos de multas (art. 320/CTB). Punição com multas mais frequentes do que excessivamente severas, para que sua verdadeira função se configure: medo de ser flagrado.

    A solução definitiva para problemas de trânsito esbarra no nível educacional brasileiro. Para votar melhor. Para entender melhor a Sociedade. Para entender que volante de veículo automotor se equivale a gatilho de arma de fogo, caso não seja utilizado corretamente.Escola, solução. Não uma escola onde os professores tenham que sorrir a aplicar caneta vermelha para anotar erros em provas, quando não se ensina o que é a sociedade e se pereniza a dependência ao Estado. Com a ferramenta do conhecimento e do esclarecimento, diminui-se a pressão para a coibição dos erros ao volante. Trânsito mais seguro. Nação mais feliz.

- Qual o papel do abuso da velocidade no nível de violência dos acidentes de trânsito?

    Com o aumento da velocidade, a capacidade do motorista em frear ou desviar reduz drasticamente. A velocidade máxima ou permitida é determinada envolvendo, entre outros fatores, a capacidade de frear depois que se percebe e se reage perante a um objeto de invasão de rota ou veículo em percurso de colisão.

Crédito: Divulgação 

A 100 km/h percorre-se, então, 55 metros antes de se começar a frear.

    Caso um excesso de 50% de velocidade ocorra, por exemplo, a 150 km/h, o veículo percorreria quase 85 m sem frear, quase um quarteirão sem nenhuma ação, enquanto a visão do objeto se amplia defronte ao impotente motorista. E, depois que se inicia a frenagem, ainda se depende da rugosidade do piso e da presença ou não de água a lubrificar o contato pneu-piso. A possibilidade de impacto aumenta dramaticamente em proporção ao excesso de velocidade. 

    Comparemos a trajetória de um veículo a uma barra de ferro. Quanto maior o excesso de velocidade, mais espessa a barra de ferro. Tente dobrar uma barra de ferro de elevado diâmetro. O veículo em alta velocidade também praticamente não faz curvas para desviar nem consegue frear no excesso de velocidade.

    Motoristas infratores que não são coibidos tendem a se acostumar com o excesso de velocidade, achando que nada irá acontecer. O infrator irá sofrer acidente que pode ser fatal um determinado dia. A estatística não falha.

- Como é feita a mensuração da velocidade máxima em determinada via?

    Projetos de rodovias associam capacidade e velocidade permitida. Quanto maior a capacidade necessária para carrear veículos, maior deverá ser a velocidade permitida. Vias de mobilidade são as que focam grandes distâncias a serem percorridas. 

    O conforto e as necessidades sociais são demandas a levar o projetista a elevar a velocidade permitida. Vias de acessibilidade, para curtos percursos, a velocidade permitida é menor, sem ferir conforto e a capacidade de atendimento às necessidades de cada viajante e garantindo segurança, em função de constantes variações de velocidade, porque veículos neste tipo de rodovia estão constantemente acessando-a e saindo desta. 

    Em função da velocidade de projeto, verificam-se as distâncias de frenagem e de ultrapassagem. Para ambas, estudam-se os campos de visão do motorista em todos os pontos de risco. A distância prevista de frenagem leva em conta o tempo de percepção e de reação do motorista, o coeficiente de atrito pneu-pavimento e da declividade do trecho. A distância de ultrapassagem, por sua vez, leva em conta a capacidade de aceleração e distâncias de segurança entre veículos.

    Contudo, a elevação do tráfego (o aumento da demanda veicular), o avanço na idade do pavimento que acarreta maior volume de irregularidades no piso bem como superfície com coeficiente de atrito menor, associada aos fatores veiculares como desgaste excessivo dos freios, amortecedores inoperantes e estresse do condutor perante o excesso de veículos, tendem a minimizar a segurança e exigir redução da velocidade permitida. Neste momento a velocidade permitida passa a ser menor que a velocidade de projeto. A Via Anhanguera tem sofrido reduções de limite de velocidade em trechos e sobrecarga de demanda.

Crédito: Gazeta Virtual

A falta de estrutura também influencia na definição da velocidade máxima permitida e na periculosidade da via

- Em que bases esse limite é padronizado?    A topografia mais acidentada acarreta geometria viária com redução de velocidade, como a transposição de morros em vez de cruzamento de região plana, em função do volume de curvas e dos seus raios menores, ou seja, alto volume de curvas mais fechadas. A capacidade exigida de tráfego, por outro lado, exige o aumento de velocidade. Quando se tem rodovia para alta demanda e em região montanhosa, seus custos de incorporação se alteram consideravelmente. Uma rodovia vicinal em região plana, custo construtivo da ordem de, por exemplo, US$ 100.000,00 por quilômetro. 

    Em outras palavras, a disponibilidade financeira e a prioridade do investimento são fatores balizadores na velocidade de projeto, que deve ser a velocidade permitida, pelo menos enquanto não houver excesso de tráfego.

- Que elementos podemos apontar responsáveis por causar interferência na percepção do motorista com relação a sua real velocidade?    Excesso de velocidade. A emoção da alta velocidade e a percepção errada de que se está seguro viajando assim exige do poder constituído ação forte para minimizar o volume de mortos e feridos decorrentes da displicência quanto às regras de trânsito e ao Código de Trânsito Brasileiro, lei nacional 9503/97, uma verdadeira ferramenta para salvar vidas e que precisa ser respeitado.

Crédito: Jornal Região Sudeste

A opinião de que radar tem função apenas de coletar recursos do bolso do motorista infrator é errada. Multas aplicadas de forma correta salvam vidas.

    O motorista que sabe que não pode, mas insiste precisa ser multado e ter, em função de excesso infracional, ter carteira suspensa e cassada. É melhor que fique reclamando, mas não acarrete a morte de outrem. É melhor que entre com recursos contra a multa do que seja mais um sob uma lápide da desgraça da reação de forte impacto a gerar sua morte. 

    Não há dúvida que o álcool, drogas ou sono levam a um estado de redução de atenção e são geradores de graves acidentes. O álcool, na realidade, gera redução sensível de capacidade reativa acima de 0,5 g de álcool por litro de sangue. Hoje, a redução para alcoolemia zero tem função de facilitar o aprendizado na forma não pode beber. Contudo, o copo de cerveja e a taça de vinho estão na mesa do brasileiro. Não bastam espetáculos quase circenses para mostrar veículos parados e motoristas multados em vias cariocas ou paulistanas. Em pesquisas recentes, há cidades em que o motorista tem plena convicção de que pode beber para guiar, mas não pode bater, para não ter problema com álcool.

Crédito: Divulgação

Professor Creso – especialista em trânsito fala sobre os problemas do abuso da velocidade no trânsito

    Mas alcoolemia tratada assim gera assimetria de peso da infração em relação a outros fatores geradores de acidentes e tende a constranger agentes de trânsito a aplicá-la. E quantos brasileiros sabem o tempo que leva para sair o álcool do sangue? Quantos têm noção de que 0,15 g de álcool se metaboliza por hora? Então, quando poderão pegar o carro depois da refeição? Não há informação de massa para tanto. Parece que se busca estabelecer nesta campanha o conceito da proibição da ingestão de álcool. 

    Uma proposta? Retorno ao limite anterior de alcoolemia, mas firme fiscalização e sob exame que foque veiculo inicialmente: em alta velocidade, em movimento irregular. Além disso, o modelo brasileiro é transparente a outras drogas. Isto é um problema sério, afinal, tende a gerar a ideia que convém usar outras drogas do que beber. E beber e dirigir, mata.

*Creso de Franco Peixoto é engenheiro civil e Mestre em Transportes. Projetista de sistemas viários. Professor de disciplinas de Transportes em Cursos de Engenharia Civil. Coordenador de Curso de pós-graduação lato sensu em Engenharia Rodoviária. Pesquisador de Universidade Pública. Escritor de temas em transporte rodoviário e aéreo. Ex-piloto civil. Também é professor da Fundação Educacional Inaciana.

Como medir resultados de programas de trânsito?


Assessoria de Imprensa Perkons
Cruzar dados, índices de acidentes e identificar as questões regionais são algumas das atividades que fazem parte do trabalho dos responsáveis por mapear que tipo de programa de trânsito dá resultado.
    Como mensurar o resultado de programas e campanhas para uma mobilidade mais segura? A tarefa é difícil, trabalhosa e conta com a descrença de muitos especialistas em trânsito. Talvez, esse último se dê porque toda vez que se aborda o assunto, a próxima informação a que comparamos esses dados é a crescente vertiginosa de acidentes e mortes no trânsito. O distanciamento dessas informações tão importantes para medirmos a assertividade da linguagem, formato e abordagem é apenas uma das barreiras à melhoria do comportamento dos motoristas e da redação dos acidentes e mortes.

    Para o doutor em Marketing e especialista em trânsito Paulo Meira, a preocupação é pertinente. “A avaliação de campanhas de trânsito é uma das tarefas mais complexas para quem trabalha com marketing social voltado à segurança do trânsito. Por exemplo, se uma determinada campanha voltada à redução da acidentalidade tivesse mostrado uma redução no número de acidentes, essa seria a única medida de sucesso? E se o número de acidentes não tivesse diminuído, mas a quantidade de perda de vidas humanas de fato diminuísse? Ou que a gravidade ou tipo de acidentes mudasse? Ou se as pessoas conseguissem pelo menos se lembrar da mensagem da campanha? A campanha poderia ainda ser considerada um sucesso? Ou ainda levado em conta o crescimento da população ou frota? Essas questões levantam a problemática de que avaliação de desempenho de programas de marketing social voltados à segurança no trânsito não é algo óbvio, nem simples”, expõe.

    Segundo Meira, melhor do que pensar em ferramentas, é fazer uma distinção entre categorias, variáveis e indicadores. “Deseja-se medir como categoria ou dimensão a segurança dos ciclistas em Curitiba. Como variáveis, pode-se eleger, por exemplo, acidentes com ciclistas reportados por agentes de trânsito e notícias de acidentes com ciclistas nos jornais paranaenses. Como indicador do primeiro, serão os relatórios dos agentes municipais de trânsito, ou ainda, formulários preenchidos em hospitais de pronto socorro e afins, e como indicador do segundo pode ser um trabalho de clipping diário que se fixe na quantidade de notícias, e contagem de centímetros colunas, ou posts, na mídia impressa e eletrônica diária”, exemplifica o doutor em Marketing. Ele coloca ainda que “o ideal será pensar a avaliação, ou mensuração, em três momentos. Um momento inicial, de avaliação de diagnóstico; um momento ao longo do trabalho, que se costuma chamar de avaliação formativa e que vai ajudando a corrigir os rumos durante a execução da campanha; por fim, uma avaliação final, denominada somativa, que é a dos resultados e consequências finais do trabalho empreendido”, define.

Crédito: Divulgação


Especialista em MKT diz que é importante levar em conta variáveis, não somente redução de índices

    Uma boa avaliação poderia tentar verificar se campanha de segurança de trânsito atendeu aos objetivos. Entretanto, o planejamento deve levar em conta objetivos comportamentais, objetivos cognitivos e objetivos de crença, e na medida do possível os objetivos devem ter metas mensuráveis, para uma avaliação final dos resultados. 

    No Brasil, o Ministério da Saúde é órgão que capitaneia o principal projeto nesse sentido; o “Vida no Trânsito”, que é conhecido em âmbito internacional como RS10 (Road Safety in 10 countries). Trata-se de uma iniciativa global pela mobilidade mais segura, abraçada por 10 países. Iniciado em 2010, o Vida no Trânsito selecionou uma capital de cada uma das regiões para que fossem criados programas e projetos específicos para o trânsito de cada uma dessas localidades. São elas Curitiba (PR), Teresina (PI) Palmas (TO), Belo Horizonte (MG) e Campo Grande (MS).

    Marta Silva, coordenadora da área de prevenção de violências do Ministério da Saúde, explica que a intervenção do projeto é bastante focada: “visamos trabalhar fatores de risco nos grupos mais vulneráveis, que são definidos localmente, a partir da análise de morbidade e mortalidade por acidentes de trânsito. A partir do cruzamento de dados, fazemos uma qualificação dessas informações. Na maioria dos casos, os grupos de maior vulnerabilidade são pedestres e motociclistas. E os fatores de risco mais incidentes são associação de álcool e direção e velocidade excessiva”, explica.

    A partir disso, o Ministério da Saúde coordena o projeto e é acompanhado por uma comissão com integrantes do Ministério das Cidades, Ministério da Justiça, Ministério do Trabalho, Polícia Federal, entre outros órgãos. “Esse sistema confere decisões intersetoriais, que qualificam os dados como perfil das vítimas, principais pontos de acidentes no município, dias da semana e horários em que eles acontecem e etc. E assim são desenhados os programas. O essencial é a integração dos setores pela mobilidade segura. É necessário atuar em educação no trânsito, melhoria da infraestrutura e fiscalização. Sempre paralelo e integrado”. O Vida no Trânsito conta com incentivo da Fundação Bloomberg, parceria da OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) e da ONG GRSP (Global Road Safety Partnership – parceria global de segurança viária).

Crédito: Divulgação


Para a representante do Ministério da Saúde, a ação para ter efetividade, precisa ser intersetorial

    Sobre a metodologia, Marta explica que, de dois em dois meses é realizada uma avaliação do número de óbitos e números de internados – dois indicadores para monitoramento - e cruzamos informações com boletins de ocorrência. “Ainda é muito cedo para medir os resultados desse projeto. Apesar disso, já notamos a redução da mortalidade. Avaliamos que, daqui a cinco anos, começaremos a colher os frutos do Vida no Trânsito. Afinal, o objetivo é trabalhar comportamento e infraestrutura, fatores que precisam de médio e longo prazo para modificação. Além disso, quando começamos a trabalhar os dados, notamos aumento das mortes de trânsito. Isso se deu porque reduzimos o número de mortes com causa indeterminada, dando prosseguimento ao plano de cruzar dados e qualificar informações”, pontua a especialista do Ministério da Saúde.

Mais informações sobre o projeto Vida no Trânsito

Crédito: Divulgação

Programa Vida no Transito: programa internacional está implantado em 100% das capitais brasileiras e visa resolver as questões locais do trânsito

    O projeto está nas cinco cidades (Belo Horizonte, Campo Grande, Curitiba, Palmas e Teresina), mas por uma inciativa do Ministério da Saúde, foi publicada uma portaria em dezembro de 2011, repassando recursos financeiros para expansão do programa. Em 2011, 100% das capitais já estavam em fase de implantação. “Então, este ano é o de planejamento para essas outras cidades para capacitar os gestores que trabalham com o trânsito. Trabalhar dados e integrar as informações, identificar os fatores. São mais de doze milhões de reais de recursos repassados aos futuros projetos. As mortes no trânsito são as segundas maiores por causas externas, perdendo apenas para o homicídio. As principais vítimas são homens jovens, utilizando motocicleta. Nossa meta é reverter esses números”, diz Marta Silva, que complementa “Mais uma vez, é preciso a ação conjunta. Afinal, não é só a saúde que vai resolver o problema das mortes no trânsito. Precisamos de fiscalização e infraestrutura também buscando as soluções”.

Números do trânsito, segundo o Ministério da Saúde

    Em 2010, foram 42.844 mortes no trânsito. Em acréscimo aos dados, o Ministério da Saúde notou aumento de acidentes em cidades de pequeno porte, por conta do aumento da motorização desses municípios, que, ao mesmo tempo enfrentam a falta de capacitação, precariedade do transporte coletivo – um verdadeiro efeito multicausal. Ainda nesse sentido, a motocicleta é a maior preocupação por conta da violência dos acidentes com este tipo de veículo.

Fonte: http://www.perkons.com/?page=noticias&sub=ultimas-noticias&subid=11117 - Acesso em 25/09/2012

24 de set de 2012

Dilma lança campanha pela paz no trânsito

Personalidades do meio artístico e esportivo aderem à campanha permanente de trânsito


A cerimônia de lançamento da nova campanha permanente de conscientização no trânsito, que faz parte do Pacto Nacional pela Redução de Acidentes - Parada: Um Pacto pela Vida – contou com a participação de diversos artistas e esportistas que, junto com o Governo Federal, abraçaram a causa.
Parada, lançado em maio de 2011, é a resposta do Brasil à Organização das Nações Unidas, que instituiu o período de 2011-2020, como “Década de Ações de Segurança no Transito”. O objetivo é reduzir em 50% os acidentes no mundo.
Uma das celebridades presentes no evento foi o apresentador do programa CQC, Marcelo Tas, que ressaltou a importância da reflexão sobre crimes de trânsito que envolva a embriaguez ao volante. “É fundamental estarmos engajados nessas ações. Isso faz com que a população também acredite na causa. A sociedade só acredita naquilo que ela vê que é verdadeiro. Por isso, estamos aqui, para provar que o Pacto pela Vida é algo sério e fundamental para revertermos esse quadro”, ressaltou.
Atualmente, ele apoia, também, a campanha “Não foi acidente”. Após o evento, ele autografou a camiseta oficial do Parada e agradeceu o convite do ministro Aguinaldo Ribeiro. “Estou aqui hoje, no Palácio do Planalto, a convite do Ministro das Cidades, para algo que eu acredito muito que é a conscientização pela redução de acidentes. Estou muito honrado em participar dessa campanha e vamos todos aderir a esse Pacto pela Vida. Eu e o programa CQC estamos juntos nessa”, afirmou.
Outra personalidade que aderiu ao Parada foi a cantora Paula Fernandes. Ela se colocou à disposição para participar das ações que serão desenvolvidas: “Eu sei que uma das minhas funções é levar essa mensagem para o meu público também”, disse.
Muito sensibilizada com a campanha, a cantora destacou a importância da mobilização contra o alto índice de mortalidade no trânsito. “Eu viajo muito por esse Brasil e, sei como é. Já passei por algumas situações muito difíceis e complicadas. Por isso, eu acredito que é uma questão de educar os filhos, e de uma educação que começa em casa”, observou.
Paula Fernandes acredita que se todo mundo fizer a sua parte é possível atingir a meta de reduzir em 50% os acidentes no país. “Depende da gente. Se cada um fizer a sua parte pequena, eu sei que no final teremos um resultado excelente”, afirmou a cantora.
Representando os atletas, estiveram presentes os ex-jogadores de vôlei Virna e Nalbert. “Vamos ter consciência e criar responsabilidade no trânsito. Como foi falado aqui hoje, é um Airbus por dia de gente que morre nas estradas do Brasil. Vamos unir forças para diminuir esses números e várias vidas poderão ser poupadas. Esse é realmente um grande pacto e uma grande campanha. Eu espero que as pessoas se conscientizem da importância de dar certo”, destacou Nalbert.
As personalidades fizeram parte da comissão de frente do lançamento da campanha, juntamente com a presidenta Dilma Rousseff; o ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro; a ministra chefe da Casa Civil, Gleisy Hoffman; o campeão Emerson Fittipaldi; e a atriz Ciça Guimarães. Eles assinaram o livro de adesão do Parada e conversaram com a imprensa, após a cerimônia, sobre a importância dessa grande mobilização nacional, em prol da redução do número de mortos não trânsito.
Veja na página do Parada o vídeo gravado com Marcelo Tas sobre a adesão à campanha.
Karoline Souza
Assessoria de Comunicação Social
Ministério das Cidades

Lição na faixa de pedestres

23 de set de 2012

Governo Federal lança campanha de trânsito permanente

A presidenta da República, Dilma Rousseff, e o ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, lançam nesta sexta-feira (21/09), às 11h, no Palácio do Planalto, uma campanha permanente de conscientização no trânsito para reduzir o número de mortes nas estradas e ruas do país. A iniciativa faz parte das ações da Semana Nacional de Trânsito de 2012, que tem como tema “Não exceda a Velocidade. Preserve a Vida”.
As ações de trânsito coordenadas pelo Ministério das Cidades integram o Pacto Nacional pela Redução de Acidentes (Parada- Um Pacto pela Vida) que está sendo ativado, após o seu lançamento, em maio de 2011. Durante este período, foram realizadas campanhas sazonais de utilidade pública que, aliadas à fiscalização e à educação no trânsito, conseguiram reduzir o número de óbitos nas rodovias.
Contudo, os técnicos do Ministério das Cidades observaram a necessidade de desenvolver uma campanha permanente de mobilização para que os números de vítimas fatais no trânsito não caiam apenas durante as iniciativas sazonais – férias, feriados e datas comemorativas. Os números mais recentes de acidentes no trânsito são do Ministério da Saúde e mostram que, em 2010, 42.844 pessoas morreram nas estradas e ruas do país.
A partir deste fim de semana, um filme publicitário será veiculado na TVs como parte do Parada. Outras ações estão previstas para acontecer até fevereiro de 2013 em rodovias, escolas, eventos culturais e esportivos com o engajamento de celebridades como Cissa Guimarães, Emerson Fittipaldi e organizações não governamentais.
Espanha – Um exemplo de ação de conscientização que deu certo aconteceu na Espanha. Durante o Congresso Internacional de Trânsito, realizado em Porto Alegre, em julho, a médica e diretora-geral de Trânsito do país, María Seguí Gómez, afirmou que para tornar o trânsito mais seguro, é preciso trabalhar em conjunto e nunca desistir. “Cooperamos, cooperamos e, quando estivermos cansados, cooperamos. Com quem? Com todos os que de uma maneira ou outra têm competência nessa matéria”, disse ela.
Segundo María, a Espanha investe, principalmente, em educação, legislação e infraestrutura. Com o aumento da fiscalização e número de
guardas nas ruas, rigor da legislação, mudanças na formação de condutores, o país reduziu significativamente as mortes no trânsito.
Em 2003, a Espanha ocupava a 17ª posição no ranking europeu de países com menor mortalidade no trânsito. Em 2009, passou a ocupar a 9ª posição. Nesse período, as ações na área reduziram o índice caiu de 128 mortos por milhão de habitantes, para 59 mortos.
Parada – O Brasil pretende seguir o exemplo da Espanha com as ações do Parada. O pacto é uma resposta do Brasil à Resolução A/64/L44 da Organização das Nações Unidas (ONU), publicada no dia 02 de março de 2010, que instituiu o período de 2011 a 2020, como a “Década de Ações de Segurança no Trânsito”.
A resolução foi elaborada com base em pesquisa realizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 178 países que estimou que, em 2009, aconteceram cerca de 1,3 milhão de mortes por acidentes de trânsito. A resolução recomenda aos países-membros a elaboração de um plano de ação para guiar as ações nessa área, tendo como meta estabilizar e reduzir o número de mortes no trânsito em todo o mundo.

Assessoria de Comunicação Social
Ministério das Cidades

20 de set de 2012

Braço esticado pela segurança

Teste comprova que sinalizar na faixa facilita a travessia de pedestres.

Um pedestre com o braço esticado pede passagem pela faixa de segurança. O motorista observa, reduz a velocidade, avisa aos condutores que estão atrás. O pedestre agradece e faz a travessia com segurança. O simples ato de esticar o braço em direção à rua surge como uma forma segura e simples de comunicação entre pedestres e motoristas para a passagem sobre a faixa.

Organizador da campanha Respeito a Vida, Respeito a Faixa, lançado neste mês em alusão à Semana Nacional de Trânsito, que começou ontem e se estende até o dia 25, o Rotary Club Hermann Blumenau fez um teste em quatro das principais ruas da cidade para observar a redução no tempo de travessia pela faixa e a quantidade de carros que passam pelo pedestre antes de ele ter direito à passagem.

As pessoas atravessaram seis vezes em cada um dos pontos escolhidos, sendo três delas esticando o braço, pedindo passagem, e outras três apenas esperando a parada dos veículos. No teste feito pelo Rotary, o tempo médio de espera para quem não ergueu o braço foi de 38 segundos, enquanto quem fez o sinal teve uma média de 26 segundos.

Da mesma forma, a reportagem do Santa saiu às ruas de Blumenau e fez o teste na Avenida Beira-Rio e nas ruas Humberto de Campos e 2 de Setembro. O resultado? A redução do tempo médio para travessia foi comparada novamente. Desta vez, o braço esticado possibilitou a passagem em 11,3 segundos, contra 29 segundos de quem não sinalizou aos motoristas.

– A nossa intenção é estimular a comunicação entre as duas partes, condutor e pedestre – explica o presidente do Rotary, Roberto Lucena.

A medida, no entanto, não é um dos focos da campanha do clube. Mesmo assim, ela aparece como uma das dicas aos pedestres nos panfletos distribuídos pela cidade.

O gesto de esticar o braço sobre a faixa é o mote de campanhas para evitar o atropelamento em diversas partes do país. Em Brasília, por exemplo, o projeto foi lançado em conjunto com um processo rigoroso de fiscalização aos motoristas que descumprem o direito de dar passagem aos pedestres.

– Tem muitas pessoas que ficam tempo demais na faixa e acabam arriscando. Esticar o braço é um ato que contribui muito com a segurança – explica a especialista em Ambiente, Gestão e Segurança de Trânsito e Metodologia de Ensino, Irene Rios da Silva.


ÂNDERSON SILVA
FONTE: http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,186,3890257,20437 - aCESSO EM 20/09/2012