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23 de fev de 2012

A "Frevolidade" da Vida na Terra do Carnaval

Julyver Modesto de Araujo

            Quarta-feira de cinzas, 22 de fevereiro... o ano de 2012, finalmente, está começando... exceto, logicamente, para aqueles que decidiram “emendar o feriado” e continuarão comemorando o Carnaval até o próximo domingo...
            Mas nem tudo, obviamente, é comemoração; aliás, na terra do Rei Momo, entre fantasias e marchinhas carnavalescas, a única certeza que tínhamos, antes de colocar o bloco na rua, é que algumas pessoas não voltariam para suas casas. Apesar de parecer não ser o momento para um assunto tão melancólico, não é preciso ter dons premonitórios para saber que o trânsito, mais uma vez, faria crescer o número de vítimas.
            No balanço final da Polícia Rodoviária Federal, uma boa notícia: redução de quase 20% no número de mortos nas rodovias federais do Brasil (sem levar em conta o aumento da frota), comparando-se o Carnaval de 2012 com o do ano anterior... trata-se, obviamente, de uma boa, mas triste notícia, já que, não obstante a diminuição, morreram 176 pessoas (com lesões em um número dez vezes maior), durante os festejos carnavalescos, várias delas enquanto iam para os seus destinos... somam-se a este quadro o número de mortos e feridos nas rodovias estaduais e nas aglomerações urbanas, e teremos uma calamidade pública, sem nenhum exagero.
            Assistimos impassíveis às privações e prejuízos alheios, como se não estivéssemos correndo os mesmos riscos... É como se a vida, que nos é tão cara, parecesse tão frívola, apenas por pertencer ao outro. E, ao som do frevo, do axé, do samba e de outros ritmos tupiniquins, saudamos a existência dos pierrôs e colombinas que o trânsito não silenciou.
            Quem poderia prever, afinal, que este seria o seu último Carnaval? Que sua vida seria interrompida, de maneira tão abrupta? Que sua família sofreria uma perda irreparável, que alteraria, irremediavelmente, a rotina de várias outras pessoas? Que viraria um mero número nas estatísticas oficiais, daqueles que perderam a sua vida no trânsito? Mas esta realidade, efetivamente, é a que “surpreendeu” muitos brasileiros em mais um feriado nacional...
            No Rio Grande do Sul, um motorista de apenas 18 anos atropelou dezessete pessoas (uma das vítimas, de 15 anos, em estado grave) e fugiu do local. Após ser detido em casa pela Polícia, foi indiciado (pelo menos, inicialmente) por lesão corporal culposa (artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro, com pena de detenção, de seis meses a dois anos) e, se assim considerado, poderá responder ao processo em liberdade.
            No litoral de São Paulo, fora do asfalto, outro fato chocante: um menor de idade que conduzia um jet ski (ou que somente havia ligado o veículo, segundo a defesa), foi apontado como causador da morte de uma menina de 3 anos, que estava na areia da praia. Segundo consta, nem o menor, nem a sua família, teriam prestado socorro à vítima, mas o advogado apressou-se em informar que ele pretendia se apresentar à Polícia na quinta-feira, após o Carnaval.
            Muitas outras foram as histórias tristes que mudaram, para sempre, a vida de várias famílias. E quantos serão os culpados que, realmente, pagarão pelos erros cometidos? Qual será, efetivamente, a punição aplicada aos causadores dos mais de três mil contingentes de trânsito ocorridos durante os seis dias de “folia”? (considerando-se apenas a malha rodoviária federal)
            Enquanto isso, um fato chama a atenção para o sistema jurídico brasileiro: durante a apuração do desfile das Escolas de samba, na capital paulista, dois homens são acusados de dar início a um tumulto generalizado, contra os votos dados pelos jurados. Um deles invade o local destinado à Comissão organizadora e, num rompante imperdoável, subtrai e destrói algumas cédulas de votação; felizmente, logo é preso e acusado de dano ao patrimônio e supressão de documentos, crimes que a lei penal considera mais graves que o homicídio culposo ou a lesão corporal no trânsito, motivo pelo qual é levado diretamente à penitenciária, já que não se pode arbitrar fiança para crimes tão bárbaros.
            Fiquei feliz em saber que nosso Carnaval foi salvo! Pelo menos este também não voltará tão cedo pra casa...

São Paulo, 22 de fevereiro de 2012.

JULYVER MODESTO DE ARAUJO
Presidente da ABPTRAN – Associação Brasileira de Profissionais do Trânsito

Planejando o comportamento de NÃO beber e dirigir

Postado por Fábio de Cristo 



Hoje em dia, dificilmente, as pessoas desconhecem os riscos, tanto para si quanto para os outros, de ingerir bebida alcoólica e conduzir um automóvel ou motocicleta. Dificilmente, elas também desconhecem que este comportamento é uma infração ao código de trânsito. Caso seja pego numa fiscalização, o motorista alcoolizado terá uma grande dor de cabeça, pela ressaca física ou moral, pela perda de tempo e pelos custos financeiros – multa atualmente de R$ 957,70, suspensão do direito de dirigir por doze meses, retenção do veículo até que chegue um condutor habilitado e recolhimento da habilitação. 

Não beber e dirigir, em alguns casos, é um comportamento bastante desafiador, necessitando planejamento para obter sucesso. Mas, é possível planejá-lo? Sim, é possível fazê-lo, a fim de dirigirmos em paz, com segurança e em conformidade com a lei. Contudo, para elaborar e executar este plano, é necessário ter consciência de, pelo menos, três elementos que estão em jogo influenciando nossa intenção e comportamento. 

Com o aumento da fiscalização, do rigor da lei e das possíveis consequências punitivas, muitas pessoas têm desenvolvido atitude favorável ao ato de “não beber e dirigir”, embora o comportamento ainda seja pouco valorizado socialmente. Esta avaliação positiva sobre o não beber e dirigir, associado a uma avaliação negativa das consequências de ser pego embriagado, é um primeiro elemento importante que influencia nossa intenção. É o nosso despertar crítico para a situação, e um sinal de mudança de nossa parte.

O segundo elemento importante é a pressão social, geralmente exercida pelos amigos para ingerir bebida alcoólica. Mas, por que os amigos são tão decisivos na nossa motivação e até no comportamento? Em geral, temos muita estima, respeito e admiração pelos amigos. Eles nos orientam, riem e choram com a gente. Conhecem nossos jeitos, aspirações, problemas. Os amigos são aquelas pessoas importantes para nós e fazem a vida valer a pena. É natural, portanto, querer comportar-se conforme achamos que mais agradaria eles, ou seja, acompanhando-os na cerveja. Isto, por sua vez, interferirá na nossa vontade de tentar e na quantidade de esforço que planejamos manifestar para realizar o comportamento. 

Resistir, portanto, à influência deles é um dos grandes desafios para muitos motoristas e motociclistas que saem para um barzinho ou uma festa. Em 70% dos casos, os amigos conseguem diminuir nossa intenção de não beber... Tudo bem, em 99% dos casos! É por isso que as propagandas de cerveja usam encontros entre amigos para vender bebida. Se identificarmos e administrarmos com habilidade esta pressão, possivelmente não fracassaremos minutos depois da chegada ao bar. 

Quando dizemos “– Não!”, o amigo, em geral, fica frustrado, perguntando logo: “– Num vai beber por quê?”. A pergunta tem sua lógica, afinal, supostamente, estaríamos ali pra beber. Portanto, é isso que se espera de nós: que bebamos. Ademais, foi um gesto tão caloroso e espontâneo... Por qual razão negaríamos uma cervejinha, contrariando-os logo na chegada? 

Tem amigo também que, antes mesmo de justificarmos, ele já responde com ar provocativo o que havia perguntado, tentando avaliar e diminuir o nosso grau de motivação para não beber. Sabemos como eles são bons nisso (veja um exemplo de propaganda de cerveja aqui).
Eles fazem pressão mesmo. Alguns argumentos para nos convencer são leves (mas bastante eficientes), como: “– Vai esquentar a cerveja!”. Outros podem ser mais fortes, mexendo com a nossa coragem, dizendo: “– Rapaz, num lhe conheci fraco assim, sem beber!”, ou apelam para a amizade de longa data: “– Tome só essa, em nome da nossa amizade, vai...”. É fundamental, portanto, resistir a essas pressões.
  
O terceiro elemento que torna os amigos tão decisivos na nossa intenção e comportamento é a percepção de controle. É importante percebermos que temos ou podemos ter o controle sobre nosso comportamento, e, mais importante, que podemos exercê-lo no momento oportuno, aumentando a probabilidade de concretização da nossa intenção de não beber. 

O controle sobre o comportamento está conosco, ou seja, dependa da gente. Podemos, assim, impedir educadamente que o copo seja cheio de cerveja, colocando a mão em cima dele; se este já estiver cheio, podemos afastá-lo, agradecer pelo gesto e pedir um refrigerante, água ou suco. 
Em algumas situações, todavia, por mais que o controle esteja conosco, acreditamos que é muito difícil dizer “– Não, obrigado! Não vou beber”, antes que o amigo encha o copo americano com o “precioso” líquido. Nestes casos, o nosso controle percebido sobre o comportamento é baixo. A consequência disso é que, se os “obstáculos” para resistir são percebidos como muito grandes, nos esforçaremos pouco para não beber

Se conseguirmos, então, administrar bem os momentos que dizemos “não” (incluindo as várias vezes que temos de dizê-lo numa mesma ocasião), como também as reações dos amigos, nós teremos alguma esperança de conseguir, de fato, não beber. Em suma, nossos amigos podem ter a “força”; mas nós também temos a “fraqueza”. 
Amigo leitor, o comportamento de não beber e dirigir pode ser planejado. Então, planeje-o antes de sair conduzindo automóvel ou motocicleta para onde vai rolar bebida alcoólica. Este comportamento dependerá, em grande medida, tanto do controle que você percebe ter quanto do grau da sua intenção de realizá-lo. 

A intenção de realizar o plano, por sua vez, dependerá de três elementos, ou seja, será maior quando a sua avaliação sobre as consequências do seu comportamento de não beber e dirigir forem consideradas positivas (atitude); quando você perceber que tem controle sobre este comportamento (pressão social); e, finalmente, quando, segundo a sua avaliação, a pressão dos seus amigos, naquele momento, não exercer tanta influência (percepção de controle)... 

Telefone celular chamando...

– Alô!
– E aíííí, meu amiiiigo! Tudo bem?
– Vinícius?! Nããão acredito! Tudo ótimo! E você?
– Tudo jóia! Escuta, tenho uma novidade! Tô de casa nova, e morando de frente pro mar! Quero te convidar para conhecê-la, pode ser hoje à noite?
– Claaaaro! Será um prazer.
– Perfeito! Quando você vier pra cá de carro mais tarde, lembre-se de trazer seu violão, ok? Faremos um sonzinho. Outra coisa, estou indo ao supermercado preparar tudo. Você vai querer beber o quê, vinho ou cerveja?
– ... 

Para saber mais:

1.
Åberg, L. (2001). Attitudes. In P.-E. Barjonet (Ed.), Traffic psychology today (pp. 119-135). Norwell: Kluwer Academic Publishers.

2.
Ajzen, I. (1991). The theory of planned behavior. Organizational Behavior and Human Decision Processes, 50, 171-211.

3.
Brasil. (2008). Lei nº 11.705, de 19 de junho de 2008. [Dispõe sobre as restrições ao uso de bebidas alcoólicas]. Recuperado em 19 de fevereiro 2012, de
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11705.htm

4.
Parker, D., Manstead, A. S. R., Stradling, S. G., Reason, J. T, & Baxter, J. S. (1992). Intention to commit driving violations: An application of the theory of planned behavior. Journal of Applied Psychology, 77(1), 94-101.

Fonte:
https://sites.google.com/site/fabiodecristo/blog-psicologia-e-transito-1/2011-2012/planejandoocomportamentodenaobeberedirigir - Acesso em 23/02/2012

Brasil lidera a lista de países com o maior número de acidentes de trânsito do mundo.

O principal fator para este número é a relação álcool e direção.

A combinação álcool e outras drogas resultam em diversos perigos para a saúde como o aumento de danos cerebrais, riscos ao fígado, exposição sexual de risco, além, claro, da violência. O Brasil lidera a lista de países com o maior número de acidentes de trânsito do mundo, com um milhão por ano, resultando em 300 mil vítimas. O principal fator para este número é a relação álcool e direção.

“52% dos brasileiros bebem e aproximadamente 24% bebem de forma preocupante. O uso do álcool está associado claramente a acidentes e violência interpessoal. Nenhuma outra droga produz quadro tão amplo e significativo”, afirma o Dr. Carlos Salgado, psiquiatra do Hospital Mãe de Deus de Porto Alegre e conselheiro da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (ABEAD).

Tabaco e álcool são as drogas mais consumidas no Brasil, seguido por medicamentos e maconha. “É importante reforçar que as drogas mais importantes para prevenção e tratamento ainda são o tabaco e o álcool e que cabe também aos pais a tarefa de dizer não ao uso de tabaco e álcool por menores”, revela.

Em muitos casos, o uso precoce, a disponibilidade, o fácil acesso as drogas, a negligência de pais e autoridades são fatores que se associam a dependência dos usuários. Esta dependência gera alterações no comportamento dos usuários. “Mudanças na conduta, humor, indisposição para estudo e trabalho, abandono de atividades habitualmente prazerosas, entre outros. Urgência do uso ou fissura é outro sintoma de dependência”, completa.

Para o tratamento destes vícios, o auxílio da família é fundamental para um final feliz. “Mais do que no tratamento, a família também tem importância na prevenção. Um tratamento para dependentes químicos com participação da família tem chance muito maior de sucesso” conclui.

Tabaco: principal causa de morte evitável

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo é a principal causa de morte evitável em todo o mundo, além, de proporcionar sérios riscos e transtornos a saúde. Esta droga em conjunto com o álcool, é responsável por doenças como câncer na cabeça, de pescoço, estômago e bexiga.

Para o Dr. Carlos Salgado, o Brasil está progredindo em relação ao combate contra esta droga. “O Brasil está progredindo na questão do tabaco. É modelo internacional na redução no número de usuários pela política restritiva, que inclui proibição de propaganda fora dos pontos de venda e restrição ambiental para a fumaça”, afirma.

Deixar este vício diminui riscos de doenças e aumenta a qualidade de vida. “Parar de fumar poupa esforço cardíaco, pulmonar e reduz risco de câncer de cabeça, pescoço, trato digestivo e bexiga. Melhora a nutrição da pele, rejuvenescendo o usuário. Aumenta o fôlego e disposição para exercícios”, completa.

Fonte: Bondenews

18 de fev de 2012

Motoristas que dirigem alcoolizados triplicam chances de acidentes

Especialistas dizem que álcool interfere na comunicação entre os neurônios.
Duas doses de bebida afetam funções, como a contração das pupilas.

Motoristas que dirigem alcoolizados triplicam as chances de provocar um acidente. Segundo especialistas, o álcool interfere na comunicação entre os neurônios, afetando primeiro a área responsável pelo senso crítico.

Quem está ao volante fica mais imprudente e, com um copo de cerveja ou uma dose de bebida destilada, o motorista já perde a amplitude e a percepção de distância.

De acordo com pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de (UFSCar), duas doses de bebida afetam as funções inconscientes como a contração das pupilas, quando passa um carro com farol alto, por exemplo. E bastam três doses para diminuir o tempo de reação para uma freada. Com quatro copos de cerveja, a coordenação motora fica comprometida.

Normalmente, o motorista demora um segundo para tirar o pé acelerador e pisar no freio. Se tiver bebido, ele demora até três segundos, o que é tempo suficiente para percorrer dezenas de metros e provocar um acidente.

E, durante a noite, todos os efeitos são potencializados, porque a parte do cérebro que informa quando é dia e quando é noite recebe menos hormônios.

Ao motorista, vem a informação de que está chegando a hora de dormir. Ou seja, já há um relaxamento natural, que deixa os reflexos ainda mais lentos.

O coordenador do curso de Medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Bernardino Souto, explica que não há como dirigir com segurança quando o motorista consumiu bebida alcoólica. "À noite quando o farol vem, no indíviduo alcoolizado essa adaptação pupilar é muito mais lenta. O tempo de cegueira, na mudança brusca de claro para escura, fica mais longo e o risco de acidente aumenta muito", disse.

Assista ao vídeo, aqui!

Fonte:
http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2012/02/motoristas-que-dirigem-alcoolizados-triplicam-chance-de-acidentes.html - Acesso em 18/02/2012

Física às margens da CAMPANHA PELA VIDA DA CRIANÇA NO TRÂNSITO

Em caso de acidente, que esteja usando o cinto!
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Assista ao vídeo, antes da leitura do texto:





O pai - dirigindo o carro - está de cinto. Ele colocou o cinto em si mesmo.
   As crianças, no banco traseiro, estão sem cinto. Elas não colocaram seus cintos!
  Não colocaram porque não sabem que precisam? Não colocaram porque não quiseram colocar? Ou não colocaram porque nem lembraram? Não importa! Era do pai a responsabilidade de fazê-las andar em segurança, com o cinto de segurança.
  Se elas não sabiam: responsabilidade do pai ensinar-lhes, que se o carro for parado bruscamente, pelos freios ou por um obstáculo (em caso de colisão) é o cinto de segurança que as segura, fazendo-as parar e impedindo que se machuquem.
    Se elas não quiseram: responsabilidade do pai mandar, exigir, determinar que coloquem os cintos. Se elas não querem colocar o cinto, mas também não querem machucar-se. Assim como não querem ver um ao outro, ou o pai, machucado.
   Se elas não lembraram: era do pai a responsabilidade de lembrar-lhes. Crianças vivem mais sob o princípio do prazer do que pelo princípio da responsabilidade. Por isso é mais fácil que elas esqueçam do que precisam fazer para não se machucarem.
  O que é fato: se não sabiam (e não foram ensinadas), ou não queriam (e não foram avisadas), ou nem lembraram (e não foram lembradas) - de colocar o cinto -, na colisão, o resultado é o mesmo! 
  Com a batida, o carro da frente (o obstáculo) parou o carro vermelho, impedindo-o de continuar seu movimento. O cinto parou o pai (motorista). As crianças, porém, não tendo nada que as segurasse, continuaram movendo-se como antes da colisão. Porque é assim que as coisas em movimento se comportam: continuam seus movimentos até que uma força faça-os cessar ou mesmo os modifique. 
   O cinto de segurança não tem a função de impedir a colisão, mas pode reduzir os danos causados pela inércia.
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     O pai (motorista) SABE que numa colisão o cinto impede que as crianças continuem se movendo para a frente e evita que se machuquem contra os bancos da frente ou mesmo o para-brisas.
Ele NÃO QUER, certamente, que seus filhos se machuquem.
Será que NÃO LEMBROU de por os cintos nas crianças(ou pedir que pusessem elas mesmas)? 
 A colisão, agora iminente, é um perigo para o pai e seus filhos. Há pouco ele ria; distraído com a brincadeira das crianças. Agora, a consciência (tardia) do perigo suscita o medo. Daí o susto! Tarde demais... Ainda que houvesse tempo parar lembrar que seus filhos viajavam sem cintos, nada poderia fazer. Ainda que quisesse, não poderia segurá-las!
 A colisão com o obstáculo faz o carro parar bruscamente. Ocorre uma desaceleração, brusca e forçada, que reduz a velocidade do carro desde o valor inicial (quanto estaria marcando o velocímetro antes do ocorrido?) até zero, num intervalo de tempo muito curto.  

 As crianças, e o pai, se moviam com a mesma velocidade do carro. A colisão parou o carro. O cinto de segurança parou o pai. Sem o cinto de segurança para segurar as crianças...
 O cinto não teria evitado o acidente, mas impediria que as crianças continuassem se movendo. Isso evitaria que colidissem contra o para-brisas e o resto você já viu...
Fonte: 
 

Treinamento evita acidentes de trânsito envolvendo idosos

Por que os motoristas mais idosos, especialmente aqueles acima dos 70, se envolvem em acidentes de trânsito principalmente em cruzamentos? A tendência geral é de se atribuir o fato a um declínio cognitivo ou físico, envolvendo maior tempo de reação, pior visão ou pior audição. Esses fatores são sem dúvida parte do problema – mas sequer são a maior parte do problema. Cientistas descobriram um fator que é mais importante e que pode ser facilmente corrigido.

O fato é que, dizem os cientistas, os motoristas mais idosos desenvolvem maus hábitos ao volante – mas esses hábitos perigosos podem ser desaprendidos.

Software, não hardware

“É um problema de software, não de hardware,” resume Alexander Pollatsek, da Universidade de Massachusetts Amherst (EUA). “O maior percentual causador de desatenção nos cruzamentos deve-se a uma estratégia ou jeito de pensar que foi adquirido, e não a algum problema com o cérebro das pessoas idosas,” completa.

Usando simuladores de alto realismo, os estudos mostraram que os motoristas idosos observaram as zonas de perigo com menos frequência do que seria seguro, comprometendo a segurança. Os pesquisadores ressaltam que os motoristas mais idosos, mais temerosos de algum acidente ao reconhecer as próprias deficiências físicas, adotam uma cautela excessiva ao dirigir, mas sobretudo focando-se diretamente à frente. E essa estratégia falha justamente nas intersecções, o que explica porque é aí que eles se envolvem mais em acidentes.

Motorista jovem de novo

Para confirmar que era mesmo uma questão de treinamento, os cientistas avaliaram se um programa educativo poderia eliminar os maus hábitos – o treinamento sozinho não seria capaz de resolver problemas motores ou cognitivos, por exemplo.

Um dos grupos apenas viu a gravação de sua participação. O segundo grupo passou por um “treinamento passivo”, uma palestra sobre onde estavam os maiores riscos nas interseções. O terceiro grupo assistiu o replay de sua participação e, ao mesmo tempo, recebeu um feedback sobre seu comportamento.

A maioria dos idosos do terceiro grupo identificou sua própria falha antes que os instrutores precisassem falhar-lhe. Ao repetir as tarefas, não houve diferença de desempenho nos dois primeiros grupos em relação ao primeiro teste. O terceiro grupo, porém, depois de repassar suas deficiências, passou a ter um desempenho equivalente ao de motoristas jovens usados como referência. A avaliação foi repetida 20 meses depois, e os efeitos do treinamento se mantiveram.

Fonte: Diário da Saúde

14 de fev de 2012

11 de fev de 2012

Além das estatísticas: Repercussões afetivas da perda por acidente de trânsito

Postado por Fábio de Cristo


Em uma noite inspiradora de quarta-feira, falava um palestrante à sua enorme platéia, cuja grande maioria era de estudantes universitários. Depois de uma ligeira pausa, demonstrando a face séria e a voz serena, continuou dizendo:

"– Meus amigos, tenho mostrado aqui vários gráficos com estatísticas de acidentes de trânsito no Brasil e no mundo. Temos discutido exaustivamente o papel dos legisladores e da fiscalização na minimização dessa tragédia. Tenho indicado o número de mortos e feridos, além dos custos financeiros dos atendimentos às vítimas e às reformas nos espaços públicos danificados. Mas ainda não falei tudo. Embora veja no olhar e na expressão de vocês que o conteúdo apresentado foi compreendido intelectualmente, ou seja, pelo raciocínio, é igualmente importante que vocês compreendam o conteúdo emocional do nosso tema, isto é, que sintam em seu coração. Existe um fato que não está contabilizado nessas estatísticas e que nos ajudará nesta tarefa: a dor emocional de perder quem se ama num acidente de trânsito. O quê vocês sabem dizer sobre isso?".

Após esta pergunta, fez-se outra pausa. A audiência, surpreendida, permanecia em silêncio, em atitude reflexiva, até que o palestrante retomou a palavra.

"– Suponho que muitos aqui não têm uma resposta pronta para esta pergunta. Assim, eu os ajudarei na sua construção...

Por favor, de olhos fechados, imagine que você perdeu agora um ente muito querido, em decorrência de um acidente de trânsito. Agora, imagine que esta pessoa é sua mãe.

A partir deste minuto, sua mãe simplesmente não estará mais perto de você fisicamente nos próximos natais, festas de família ou no seu aniversário.

Como seria viver sem ela pelo resto da vida? Imagine que você não terá mais seus paparicos, nem aquele cafuné.

A partir de hoje, ela não te acordará mais carinhosamente nos fins de semana, como costumava fazer. Aquela massagem leve nos dedos que te fazia despertar lentamente, isso não existirá mais.


Sabe aquele abraço caloroso, aquele que te cobre todo, envolvendo a alma na mesma vibração, de coração para coração? Infelizmente, dele só restará a sensação sentida na última vez...

Dificilmente, você saberá avaliar a extensão do vazio no peito por não tê-la nos momentos de decisão que a vida te exigirá; afinal, parece que só ela possuía a sabedoria, o pensamento visionário e o espírito orientador capaz de te sensibilizar e expandir a mente.

Sabe aquelas risadas frouxas que você costuma dar a cada anedota que sua mãe conta? Sem elas agora, você, certamente, reconhecerá como é triste levar a vida com menos graça. Nesses momentos de descontração, você não desfrutará daquela gargalhada gostosa.

Imagine que todas essas coisas boas serão perdidas subitamente, tudo de uma vez, literalmente da noite para o dia.

Sabe os apelidos carinhosos que ela inventava para você, aqueles no diminutivo, e que só ela possuía autorização para pronunciá-los? Eles serão lentamente esquecidos pelo desuso. Em alguns raros momentos, alguém inexplicavelmente pronunciará um deles te chamando, e nessa hora, um filme passará na sua mente, relembrando alguma cena dos bons momentos com a sua mãe. Discretamente, poderá rolar uma lágrima de saudade.

Também será um golpe poder vê-la 'de verdade' apenas nos sonhos. Estes sonhos serão tão emocionantes e reais que dificilmente chegarão ao fim, pois o choro e os soluços intensos te farão acordar, seja no meio da madrugada ou durante um cochilo depois do almoço. Você tentará voltar para o sonho, mas em vão.

Mesmo amando muito sua mãezinha, só depois de muito tempo – ou anos, quem sabe –, você conseguirá visitá-la no túmulo e deixar uma flor no vaso. Isto ocorrerá depois de você ter tentado e falhado algumas vezes, o que é natural, pois não é esse tipo de visita que nos acostumamos a fazer.

Você poderá sentir uma imensa saudade de sua mãe quando menos espera. Às vezes, a saudade irromperá, seja quando contemplar uma paisagem, revirar antigas fotos ou ao tomar banho.

Em alguns dias, você a buscará deliberadamente no pensamento. Em outros, você fará questão de não lembrar, mesmo que a imagem dela venha em sua mente automaticamente por algum estímulo. É muito duro não querer pensar em quem se ama, mas isso acontece.

Quando você ganhar um prêmio almejado há anos, sua mãe não te dará os parabéns ao vivo, mas não por que ela não queira. Quando você fracassar, também não haverá a palavra justa de consolo que ela costumava dizer (e funcionava para você): '– Teeeenha paciência! Teeeenha paciência!'.

Passados vários anos, você ainda sentirá enormemente a sua falta, mas não é qualquer falta. Você, então, haverá aprendido que falar de acidente de trânsito não é somente discutir números, realçar a tragédia, o horror, o sangue, as latarias amassadas ou as sirenes das viaturas tocando, momentos estes que serão passageiros. Tampouco se trata apenas do instante da morte, mas fundamentalmente de algo mais duradouro, que você levará consigo até o fim: viver com a ausência e conviver com as lembranças.

Passados 14 anos, muita coisa terá mudado na sua vida. Você se formou, casou, mora em outra cidade... E, com tanta mudança, você agora não conseguirá mais imaginar como seria se ela ainda estivesse aqui.

Ainda que você escreva ou relate a sua experiência para uma ou mais pessoas, como eu faço aqui e agora, você provavelmente ainda sentirá a ausência daquela figura amorosa cujo legado teve de ser interrompido. É como se fosse o reviver da mesma dor do primeiro dia de perda, depois que ela foi sepultada nos belos jardins do cemitério...".

O exercício, que inicialmente parecia ser “imaginário” e se transformara lentamente num belo relato pessoal sobre a perda de bons momentos, seguia para os seus minutos finais. De fato, eu sentia no coração o que o nosso interlocutor queria nos fazer compreender naquela palestra inesquecível. Abri os olhos discretamente e reparei que a platéia permanecia silenciosa e de olhos cerrados. Pelo semblante de muitos, concluí que eles também compreenderam aquele ensinamento sobre as consequências dos acidentes de trânsito, um assunto cada vez mais desumanizado e tão baseado em números que se torna, às vezes, incapaz de produzir reflexão em quem ouve. Imaginar a dor emocional de perder quem se ama aproximou o tema de cada um dos participantes (ex-espectadores), ajudando-nos a reconhecer que, em matéria de acidente de trânsito, tão importante quanto compreendê-lo intelectualmente é compreendê-lo emocionalmente, a fim de que possam germinar em nós as sementes da mudança que queremos nos outros. 

Fonte:
 

Ministro das Cidades recebe grupo baiano para o lançamento do novo jingle de carnaval

Foto: Rodrigo Nunes/MCidades
O Ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, recebeu nesta quinta-feira (09) a visita do grupo baiano Jammil e Uma Noites para consolidar a parceria da nova campanha de carnaval de conscientização no trânsito.

Aguinaldo Ribeiro apresentou a campanha com muita satisfação e falou da redução no número de acidentes nas rodovias federais dos últimos feriados. “É com muita alegria que apresento a campanha que a partir de domingo (12) conscientizará a população para o combate ao álcool e direção neste período do carnaval. Dados revelam a redução efetiva de óbitos depois das ações do Ministério das Cidades em relação aos anos anteriores. Foram 44% no Réveillon, 20% durante o Natal e 27% no feriado da Proclamação da República. Espero que esta interação cultural faça parte da nossa rotina, de respeito a vida e ao próximo. Agradeço ao 'Jammil' por participar deste projeto, por ter esta identidade e conversar diretamente com o público, levando a tradição cultural e o sentimento de solidariedade para diversos estados”, esclareceu o Ministro das Cidades.
 
O foco da campanha, realizada pelo Ministério das Cidades em parceria com o Departamento Nacional de Trânsito - Denatran, é orientar motoristas e motociclistas a não dirigirem depois de consumir qualquer quantidade de bebida alcoólica. Trazendo o conceito "Bebida e direção: Pule fora dessa", o objetivo é incentivar as pessoas que consomem bebidas alcoólicas durante as festas a procurar outro meio de voltar para casa, sem ser na direção. Existem inúmeras dicas, tais como: arrumar carona com amigos, ir de ônibus ou táxi. A campanha de trânsito será veiculada na televisão e no rádio do dia 19 ao dia 22, quarta-feira de cinzas.
 
Os integrantes da Banda Jammil e Uma Noites, Levi Lima e Manno Góes, cuidaram pessoalmente da composição e gravação do Jingle da campanha. “É uma mensagem otimista e informativa com a nossa cara e o espírito de carnaval, com muita responsabilidade. Gravamos com espontaneidade e de forma natural para que pudéssemos cantar nos shows, atingir o público alvo e a mensagem ser recebida. Obrigado por apostarem em nós”, afirmou Manno Góes.
 
O vocalista Levi Lima ressaltou que o grupo buscou um pouco das festas de Carnaval de outros estados para a composição. “Unimos o Rio de Janeiro, Salvador e Pernambuco para contribuir positivamente e cumprir responsabilidades nas micaretas e trios em todo o país. É uma campanha muito positiva e em contato diretamente com os jovens. Entendemos esta preocupação”, observou.
 
A ação contou com a parceria de outros grandes nomes da música brasileira, como o grupo Garota Safada e a cantora baiana Preta Gil. Os artistas estão apoiando a atividade, também, por meio de suas redes sociais. Além disso, os parceiros levarão a mensagem para seus trios elétricos durante todo o Carnaval.
 
O Diretor do Denatran, Júlio Arcoverde, espera que após o lançamento da campanha, continue havendo redução dos óbitos que ocorrem por consequência dos acidentes, assim como ocorreu nos últimos feriados. “A bebida é a principal causa dos acidentes, mas estamos orientando também a população a fazer revisões nos veículos constantemente”, concluiu.
 
O Ministério das Cidades e o Denatran acreditam que, além de sensibilizar, as ações de comunicação conscientizem a sociedade sobre a necessidade de uma mudança de comportamento em relação ao hábito que alguns motoristas tem de dirigir depois de beber.

Aplicativo ajuda a localizar pontos de táxi

Durante o encontro, o Ministro Aguinaldo Ribeiro anunciou, em primeira mão, o aplicativo “Onde tem táxi aqui?”, que estará disponível gratuitamente na Apple Store a partir da sexta-feira (17), que antecede o Carnaval. A ferramenta será disponibilizada, inicialmente, somente para o IPhone, mas já está prevista a ampliação do sistema para a plataforma Andróide. A atividade realizada pelo aplicativo consiste em apresentar ao usuário o endereço e o telefone do ponto de táxi mais próximo.
 
Faça o download do Jingle lançado para o Carnaval.

Fonte:

O Indivíduo que rasgou o panfleto

* Por Everaldo José de Souza

A diversidade comportamental humana impressiona. Quais razões conduzem a esta ou àquela maneira de reagir diante da mesma situação? Conviver com as diferenças é o grande desafio. Segundo os estudiosos do comportamento humano as sociedades evoluíram exatamente em decorrência dessa variedade reativa. Face aos interesses diversos o homem estudou todas as áreas e alcançou progresso nas ciências humanas e exatas.

Esta semana a atividade da Divisão Regional de Educação de Trânsito de Ji-paraná vem ocorrendo frente às escolas na campanha “volta às aulas” distribuindo panfletos com orientações sobre a forma correta de transportar crianças em veículos automotores, uso de cadeirinha, assento de elevação e cinto de segurança; conduta no transporte de crianças maiores de sete anos em veículo de duas rodas; bem como, comportamento na utilização do espaço público na condição de pedestre.

Durante a atividade frente uma escola, dois indivíduos de comportamentos divergentes se destacaram: Um senhor extremamente atencioso, tinha sotaque português e o comportamento remanescente da cultura Européia era notório, parou seu veículo frente à escola desafivelou o cinto e o filho que estava no banco de trás desceu e atravessaram a rua pai e filho de mãos dadas até ao portão do colégio. Recebeu o panfleto e fez observações positivas, elogiou a ação educativa de volta às aulas, bem como, apontou a falta de faixa de pedestre nas vias do entorno demonstrando inteligência sagaz, bom relacionamento e capacidade de inferir na busca do bem estar coletivo. Um segundo senhor parou o veículo frente à escola, não usava cinto de segurança e o filho no banco da frente também estava sem cinto. O garoto desceu e atravessou a rua em direção ao portão da escola. Antes de concluir a travessia o pai apressadamente tentou sair com carro, mas alguém se aproximava para lhe entregar um panfleto. Apanhou-o sem olhar no rosto de quem o entregou e em ato contínuo acelerou o veículo. Há aproximadamente vinte metros à frente o panfleto foi lançado na via em dois pedaços.

Que celeuma está arraigada na mente do indivíduo que reage de forma tão reprovável diante de uma ação que visa orientar para o cumprimento da Legislação de trânsito vigente, para uma utilização segura do espaço público e para a preservação da vida? Ah! Esse tal panfleto é por demais ameaçador. É, pois, um atentado aos comportamentos contrários à Lei. Quem não usa cinto de segurança e não exige o mesmo do filho, por certo se livra do panfleto. Panfleto rasgado e lançado fora externa a aversão ao modo civilizado de conviver. Enaltece o modo nefasto de repassar o comportamento ilegal ao filho. 

Os pais são responsáveis diretos pela educação dos seus filhos, pelo desenvolvimento de comportamentos adequados. São heróis, os quais os filhos fazem questão de copiá-los. Isto nos alegra quando se trata de pais exemplares, mas nos entristece quando os filhos copiam comportamentos inadequados que apregoa o descumprimento da Lei. É temeroso o futuro de tais crianças.

Que o porvir seja de glória e que um panfleto rasgado, entre mil bem aceitos e lidos, não rasgue jamais a esperança de um trânsito seguro. Que o panfleto rasgado não aniquile o propósito de salvar milhões de vidas. Que a decepção com os que recusam seja apenas fragmentos insignificantes se comparados ao entusiasmo das crianças que se aproximam e pedem um panfleto: “tio(a) me dá um”.

* Everaldo José de Souza é Tenente da PM, pedagogo pós graduado em Direito e Gestão de Trânsito.

Fonte:

8 de fev de 2012

CTB Digital da Perkons

Reflexões

Por André Rabello dos Santos*

O ser humano é realmente surpreendente. Muitas vezes positivamente, e outras, nem tanto. Somos “vítimas” de um sistema que nos torna competidores, pois não há espaço à sombra para todos, somente os mais “preparados” terão sucesso em dias de capitalismo selvagem.

Temos muita vontade de mudar o mundo, de ver respeitados nossos direitos enquanto cidadãos, apontamos facilmente as falhas deste sistema que permite que a corrupção de órgãos públicos ou sua ineficácia implique em um mundo sem justiça social, enfim, somos muito críticos com os outros e somos um tanto tolerantes com nossas imperfeições. Afinal se eu fiz algo que está fora da norma, foi obviamente uma exceção, que se justifica pela circunstância em que tal ato aconteceu. Devemos pensar coletivamente, ficar atentos as injustiças de toda ordem, mas algo fundamental deve ocorrer para podermos contribuir de forma efetiva para uma mudança no comportamento social; devemos fazer uma autoanálise antes de qualquer coisa. Sei todos meus direitos, mas será que conheço e cumpro todos os meus deveres enquanto cidadão?

Fazendo a transposição desta análise para o mundo do trânsito, do deslocamento e compartilhamento do espaço público em nossos deslocamentos, o desafio está em parar de somente apontar os defeitos e desníveis de nossas ruas, avenidas e estradas (embora às vezes sua má conservação seja determinante para a ocorrência de sinistros), ter mais cuidado ao culpar os agentes de trânsito e os pardais pelo número de autos de infração que realmente cometemos (sabemos que há exceções e injustiças, mas elas são minoria frente ao grande número de irregularidades cometidas diariamente nas ruas e avenidas do Brasil afora), não se especializar em decifrar quem foi o culpado pelo acidente que acabou de ocorrer (o interessante é saber o que podemos fazer para evitar que ele ocorra, independente de estarmos em nosso direito de preferência ou algo assim). O sistema trânsito reflete como um espelho, nossas relações sociais, como procedemos enquanto cidadãos.

Enfim, todos podemos ser protagonistas na construção de um novo comportamento, basta estarmos dispostos a nos desvencilhar de velhos hábitos adquiridos ao longo de nossa jornada e nos comprometermos de verdade com esta causa tão nobre, a valorização da vida.

*Agente de Fiscalização da Empresa Pública de Transporte e Circulação - EPTC

Campanha na Austrália reduz mortes no trânsito expondo a brutalidade dos acidentes

Campanha dirigida a motorista adota tática ousada: mostram de maneira ultraexplícita como um único deslize é o que basta para matar ou morrer

Daniela Macedo
 
A mãe está atrasada para buscar o filho na escola. Cautelosa, ela acomoda a caçula na cadeirinha do banco traseiro do carro, afivela bem o cinto, e então corre para não deixar o menino esperando — acelera no sinal amarelo, corta caminho por um bairro residencial e pisa fundo no acelerador. De repente, um cachorro atravessa a rua; a motorista faz uma manobra abrupta e escapa de atropelar o cão. Mas não o menino que vinha atrás dele: numa cena horrorizante, e mostrada em todos os seus detalhes pavorosos, o carro atinge com violência o garoto, que rola já sem vida sob ele. O telespectador, chocado, lê a mensagem na tela: “Don’t fool yourself, speed kills” (Não se engane, velocidade mata). Em outra propaganda, um jovem casal troca olhares carinhosos enquanto passeia de carro. O cenário idílico e a trilha sonora fazem pensar que se trata de um inocente anúncio de carro — mas só até ele se transformar em um espetáculo horrível de ferro retorcido e sangue: o rapaz, que havia bebido um pouquinho (mas pouquinho mesmo) no aniversário do sogro, distraiu-se e enfiou seu carro em um caminhão parado no acostamento. A mensagem no final do filme é, desta vez, ainda mais direta: “If you drink, then drive, you’re a bloody idiot” (Se você bebe, e então dirige, você é um perfeito idiota).

As cenas descritas acima fazem parte de uma muito bem-sucedida campanha de segurança no trânsito que vem sendo veiculada na Austrália desde 1989. As imagens ultrarrealistas parecem feitas para uma superprodução hollywoodiana.

Produzidos pela TAC, sigla para Transport Accident Comission (Comissão de Acidentes no Transporte), do estado australiano de Victoria, os comerciais mostram ao telespectador que não é preciso incorrer em comportamentos de risco flagrante para cometer um ato fatal de imprudência. Quem nunca acelerou um pouco mais para chegar a tempo a um compromisso, ou se julgou capaz de dirigir depois de duas cervejas ou uma taça de vinho? Atores dignos do Oscar interpretam a mãe apressada, o casal após um almoço com amigos, o pai de família que, levemente embriagado, se preocupa apenas em se desviar da blitz policial — e, como não poderia deixar de ser, os jovens irresponsáveis que voltam para casa depois de uma noite embalada a bebidas ou drogas. Em poucos minutos, as historietas levam dessas alegres confraternizações às colisões, por vezes com imagens devastadoras do momento do acidente, e daí ao desespero dos familiares ao receber a trágica notícia. Não há personagens enlouquecidos, completamente embriagados ou detestáveis na sua indiferença pela vida alheia: só gente comum, que não quer fazer mal a ninguém, mas comete um deslize terrível — e não só paga caro por ele como faz com que inocentes paguem caríssimo também. O objetivo, claro, é estimular a identificação do público com os protagonistas dessas histórias dramáticas.

Câmera Lenta: Um dos comerciais da campanha que vem sendo veiculada há mais de vinte anos na Austrália: cenas ultraviolentas, e redução de 52% nas mortes no trânsito
 
Câmera Lenta: Um dos comerciais da campanha que vem sendo veiculada há mais de vinte anos na Austrália: cenas ultraviolentas, e redução de 52% nas mortes no trânsito.

Para criar esses comerciais, a comissão australiana baseou-se tanto em estudos psicológicos como em pesquisas de opinião. Além dos vídeos ficcionais, ela produz filmes com depoimentos reais, extremamente emocionantes, de familiares de vítimas. “O realismo é parte de uma estratégia abrangente, que combina bons argumentos, didatismo e emoção para envolver o público. É duro assistir aos comerciais — mas eles são eficientíssimos na transmissão da mensagem”, disse a VEJA John Thompson, diretor de marketing da TAC. “Para muitos motoristas, as cenas fortes tocam diretamente no medo de morrer ou de se ferir. Consequentemente, provocam uma mudança de comportamento no trânsito”, completa. Os números comprovam essa tese. Quando foi ao ar a primeira propaganda, em 1989, a Austrália amargava 2 801 mortes por ano nas ruas e estradas do país. Duas décadas e 150 comerciais depois, os australianos estão mais prudentes: em 2010, 1 352 pessoas morreram no trânsito, uma redução de 52% nas fatalidades, a despeito do aumento no número de veículos em circulação. Nos dez primeiros meses deste ano, as mortes somaram 1 040. As propagandas são veiculadas na TV australiana em diversos horários — as mais explícitas são transmitidas à noite —, e muitas foram exportadas para países como Irlanda, África do Sul, Nova Zelândia e Vietnã. Os vídeos, depois, continuam a se propagar na internet. O filme de cinco minutos feito em 2009, que compilava imagens de propagandas antigas para comemorar os vinte anos de campanha, foi reproduzido 14 milhões de vezes na web. Os brasileiros formaram a segunda maior audiência, com 2,5 milhões de acessos.

Duplo Impacto: O susto e a violência das colisões não são o único aspecto das campanhas: como na imagem ao lado, de um comercial do País de Gales, o sofrimento das vítimas é outro elemento considerado indispensável
 
Duplo Impacto: O susto e a violência das colisões não são o único aspecto das campanhas: como na imagem ao lado, de um comercial do País de Gales, o sofrimento das vítimas é outro elemento considerado indispensável.

Campanhas feitas para chocar não são exclusividade das autoridades australianas. Um vídeo produzido pela polícia do País de Gales em 2009 mostra o gravíssimo acidente provocado por uma jovem que tecla uma mensagem no celular enquanto dirige. Bastam alguns segundos de olho no aparelho para que a garota invada a faixa contrária e colida com outros dois veículos. A sequência mostra as três ocupantes do carro sendo chacoalhadas como bonecas de pano, suas cabeças estraçalhando as janelas. A intenção de horrorizar o telespectador aparece, inclusive, nos detalhes: o bebezinho mostrado em close durante o resgate das vítimas está de olhos abertos, mas, como permanece imóvel, deduz-se que esteja morto.

O vídeo de quatro minutos rapidamente se tornou um hit na internet — foi acessado mais de 5 milhões de vezes no YouTube —, provocando debates sobre segurança no trânsito em canais de notícias da Inglaterra e dos Estados Unidos. Essas cenas fortes, porém, não afetam todos os motoristas com a mesma intensidade. “Estudos apontam que campanhas que se baseiam em imagens chocantes de acidentes, principalmente relacionados à combinação de álcool e direção, são pouco eficazes entre os jovens”, diz o especialista Anthony Reinhardt-Rutland, da Sociedade Britânica de Psicologia. Para garantir que sua mensagem sobre segurança no trânsito chegue aos jovens, a comissão australiana apela para um temor mais específico deles: o de serem pegos pela polícia. “Para esse público, criamos filmes que enfatizam a atuação policial”, diz Thompson. É óbvio, entretanto, que para que essa ameaça surta efeito ela tem de ser real. Ou seja, é preciso que as leis e a fiscalização funcionem. Nas ruas e estradas brasileiras, vigora a impunidade. E as campanhas discretas, que apenas insinuam situações de perigo e são restritas às épocas de maior movimento nas estradas, não intimidam os motoristas infratores: no ano passado, foram mais de 40 000 vítimas fatais — um aumento de 30% na última década. Revendo: na Austrália, tem-se 6,14 mortes no trânsito para cada 100 000 habitantes. No Brasil, há 21,36, ou mais que o triplo. É uma estatística da qual cada motorista, antes de sentar-se ao volante, deveria se lembrar. Com vergonha, com pesar e com a determinação de não somar a si mesmo, ou a outros, a ela.

Realidade e ficção: As propagandas australianas impressionam tanto pelas imagens fortes dos vídeos ficcionais, como o que mostra a pavorosa recuperação de um acidentado, quanto pela emoção devastadora dos depoimentos reais de parentes de vítimas — como o do pai que chora a morte do filho no local em que o perdeu (acima)
 
Realidade e ficção: As propagandas australianas impressionam tanto pelas imagens fortes dos vídeos ficcionais, como o que mostra a pavorosa recuperação de um acidentado, quanto pela emoção devastadora dos depoimentos reais de parentes de vítimas — como o do pai que chora a morte do filho no local em que o perdeu (acima).


Fonte: 

6 de fev de 2012

A Indústria do Transporte Onerando a Previdência Social.

O governo parece não perceber a conta a ser paga com os acidentes de trânsito pelo próprio governo, pela empresa, pela sociedade como um todo, além da brutal queda da produção brasileira.


Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior

Precisamos acordar para o fato, as fatalidades e os sequelados no nosso trânsito, por completo abandono da classe política, causam prejuízos incomensuráveis.

Revendo dados da Previdência Social vejo que um terço dos acidentes de trânsito foi caracterizado como acidente de trabalho.

Mas é coisa lógica, quem está na rua está trabalhando ou indo e vindo do trabalho. Precisamos entender que acidente de trabalho não é só aquele que ocorre dentro da empresa, mas também aquele que ocorre no deslocamento do trabalhador da porta de sua residência ao local de trabalho, assim como no retorno. Isso é chamado de acidente de trajeto e como tal, é também um acidente de trabalho. Além disso, aqueles que são profissionais do volante e do guidão da motocicleta, quando no exercício da atividade sofrendo acidente será caracterizado como acidente de trabalho.

Com tudo isso, 252 mil cidadãos que estiveram envolvidos em acidentes de trânsito no ano de 2010 no nosso país, 94.789 receberam o Comunicado de Acidente de Trabalho (CAT), que foram registrados na Previdência Social.

O prejuízo causado à empresa e ao Estado é inestimável. Quantos incapacitados definitivamente estarão sendo sustentados pela sociedade. E no decorrer de tantos anos, milhares morreram ou se tornaram incapacitados definitivamente e que dependerão de todos nós para sua manutenção. Quantos já se encontram nessa situação?

Esse é outro lado do custo dos nossos acidentes.

A prevenção é a arma a ser usada, atuando na educação desde tenra idade até a fase adulta conseguindo dessa forma mudança radical da cultura com relação à mobilidade. Cursos de formação de condutores condizentes, com treinamentos e experimentos em pistas próprias. Isso é o básico necessário que não tenho dúvida reduzirá de maneira substancial os graves acidentes urbanos e rodoviários que são estampados diariamente nos jornais.

O custeio do acidente, do tratamento, das pensões, dos auxílios acidente de trabalho, da queda da produção e tudo mais terá um decréscimo acentuado.

O governo sabe o que fazer, não entendemos porque não faz.

A parceria de Ministérios, uma força política, a colaboração e participação efetiva da sociedade levará esse país a sair do quinto lugar no rank mundial de óbitos no trânsito. Vale lembrar que ocupa esse lugar contabilizando apenas os óbitos, mas se fossemos comparar com a frota, o Brasil estaria em primeiro lugar desse fatídico rank.

Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior
 Diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da ABRAMET - Associação Brasileira de Medicina de Tráfego

III Curso de Educación y Seguridad Vial desde la perspectiva española e internacional. Modelos educativos, recursos y buenas prácticas.

Como bien es sabido y así lo demuestran las investigaciones y estadísticas, la movilidad de personas y vehículos no siempre reportan la seguridad deseada y, con más frecuencia de la deseada, se suele traducir en siniestros que ocasionan muertes, lesiones, repercusiones psicológicas, económicas y niveles altos de contaminación.

También está demostrado que el ser humano (los usuarios de las vías) suelen ser los causantes en la práctica totalidad de los accidentes. En este sentido, parece lógico pensar que actuando eficazmente en la información, formación y educación de los peatones, conductores y viajeros, podremos aportar medidas preventivas para evitar o reducir la accidentalidad y conseguir la Movilidad Segura.

Es así que la Educación y la Formación Vial tienen un carácter preventivo de alto impacto para la Seguridad Vial. Por esto, consideramos que potenciando la formación especializada de profesionales en esta materia, estaremos favoreciendo la consecución de este objetivo, a la vez que multiplicando los efectos positivos para la reducción de los accidentes y la Movilidad Segura cuando se elaboren programas de intervención para los diversos colectivos de usuarios, incluidos los centros educativos.

El diseño de este “III Curso de Educación y Seguridad Vial desde la perspectiva española  e internacional. Modelos educativos, recursos y buenas prácticas”, trata de dar una respuesta práctica a la demanda de diferentes profesionales interesados en iniciar o ampliar su formación en el conocimiento de la Educación y Seguridad Vial tanto en el ámbito español como el europeo e iberoamericano.  Juntos,  podremos sumar para  ir restando las secuelas negativas en la convivencia y la seguridad de los usuarios de las vías.

Además, como este curso tiene un carácter internacional, se ofrece la posibilidad de facilitar el intercambio de experiencias, recursos y métodos entre los profesionales que participan, a través de los foros, intercambio de archivos y páginas web.

Así pues, bienvenidos a cuantos quieran estar con nosotros en esta ocasión.

"Informações: http://web.usal.es/~vmanso/presentacion.html

Após cadeirinhas, diminui o número de mortes de crianças no trânsito

O uso obrigatório da cadeirinha infantil foi responsável pela diminuição no número de crianças vítimas de acidentes automobilísticos no País. A conclusão é da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Pelos dados oficiais, o número de mortes de crianças até 7 anos em acidentes nas estradas caiu 41,18%, no primeiro semestre de 2011, em comparação ao mesmo período em 2010. Em Brasília, não houve nenhuma morte entre o ano de 2010 – ano em que a lei da cadeirinha tornou-se obrigatória – até o mês de agosto de 2011, mês que finalizou o levantamento.

O chefe de fiscalização do 1º Distrito da Polícia Rodoviária Federal, inspetor Carlos Dantas, reforçou a importância do equipamento para a proteção das crianças. “O uso das cadeirinhas infantis, além de ser obrigatório, dá segurança e evita ferimentos”, alertou.

O inspetor completou ainda que nesse início de ano letivo, o fluxo no trânsito se intensifica e, com isso, os motoristas devem estar atentos ao transporte seguro das crianças. “É fundamental para reduzir o risco de morte em acidentes ou na desaceleração repentina do veículo”, aconselhou.

O Instituto Nacional de Meteorologia Qualidade e Tecnologia (Inmetro) recomenda aos pais e responsáveis que façam a instalação das cadeirinhas de forma correta. De acordo com o Inmetro, é fundamental seguir todas as orientações contidas nos manuais para evitar surpresas desagradáveis.

O Inmetro lançou, na semana passada, uma gravação em vídeo orientando o uso correto das cadeirinhas. O vídeo faz parte de uma série com orientações sobre o uso dos principais produtos com selo do instituto. O vídeo está disponível no site do Inmetro na internet.

Fonte: Terra

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