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24 de set de 2011

TRÂNSITO: Uma verdadeira selva urbana



Edilson Fernando Cardoso Júnior*

Que na selva impera a lei do maior, do mais forte e do mais esperto isso já se sabe, contudo, tal assertiva admite-se apenas e tão-somente na selva. Porém, não é o que temos observado no dia-a-dia dos centros urbanos.
Assim, o corre-corre desses centros tem transformado a convivência entre homens em uma verdadeira selva de pedras, já que pessoas tentam a todo custo aplicar a lei do mais forte, e isso não é mais “privilégio” das chamadas grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e outras. Não precisamos ir muito longe, basta apenas pararmos por alguns minutos às margens de umas das avenidas da capital maranhense, por exemplo, para constatarmos as mais diversas situações de falta de educação e de desrespeito às normas de trânsito e de outras convenções sociais, tudo por conta das famosas desculpas: “Irei chegar atrasado ao serviço”; “levarei uma bronca do chefe se chegar atrasado”; “a culpa é do gestor público que não melhora nossas vias”; “a culpa é das autoridades de trânsito que não fiscalizam”, e por ai vai, de acordo a peculiar criatividade do brasileiro.
Contudo, tal fato tem trazido resultados danosos à sociedade, ou seja, o número das várias formas de violência no trânsito vem aumentando vertiginosamente e estas se traduzem em acidentes de trânsito com vítimas fatais e não fatais, bem como em discussões que resultam muitas vezes em lesões corporais e até mesmo homicídios.
Por isso, quando se diz que a violência no trânsito vem aumentando consideravelmente, não é com base no senso comum, mas sim nos tristes dados estatísticos produzidos por Instituições sérias, como o DENATRAN e o IPEA, por exemplo. Para se ter uma idéia, no Brasil, até o dia 20 de setembro de 2011 o trânsito já havia feito 75.443 vitimas fatais e deixado a marca de 247.844 pessoas hospitalizadas. São dados gritantes oferecidos pelo Movimento Chega de Acidentes (www.chegadeacidentes.com.br), lançado em setembro de 2009 por entidades que militam contra a violência no trânsito como a ABRAMET (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), a ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), a CESVI BRASIL (Centro de Experimentação de Segurança Viária) e a AND (Associação Nacional dos Departamentos de Trânsito); e que demonstra a verdadeira guerra presente no trânsito, onde só há perdedores. Além desses dados, que estão devidamente registrados, existe a chamada “cifra negra”, que é a resultante daqueles acidentes que nem sequer chegaram ao conhecimento das autoridades e não foram registrados.
Outro fato que não se pode deixar de se considerar é que não existem ainda mecanismos eficientes para medir o trauma psicológico que um acidente de trânsito causa, não só naquelas pessoas envolvidas diretamente, mas também nos familiares e amigos, pelo sentimento de perda e de impotência.
Com isso, como se não bastasse a perda do maior bem jurídico tutelado e o melhor presente recebido de Deus que é a vida, existem ainda as perdas econômicas causadas pelos acidentes de trânsito. Para que fique claro o que estamos afirmando e ainda segundo o Movimento Chega de Acidentes, os gastos decorrentes de acidentes de trânsito estavam na exorbitante cifra de R$ 66.705.309.199,27 (sessenta e seis bilhões, setecentos e cinco milhões, trezentos e nove mil, cento e noventa e nove reais e vinte e sete centavos), isso mesmo, mais de 66 bilhões de reais já foram gastos em decorrência da falta de educação e desrespeito às leis de trânsito.
Assim, por conta dessa selvageria no trânsito, o Brasil deixou de aplicar recursos em áreas importantes como habitação, saúde, educação e segurança. Nesse sentido, para se ter uma noção, com o dinheiro que já foi gasto, ainda segundo o mesmo Movimento, poderiam ser construídas 1.905.918 casas populares, 1.334 hospitais de reabilitação e adquiridas 572.029 ambulâncias. Vale frisar que esses dados são atualizados 24 horas por dia e, certamente, quando você estiver lendo este artigo, os números já serão piores.
Face aos dados apresentados no Brasil e em outros países, a Organização das Nações Unidas – ONU instituiu, no ano passado, o período de 2011 a 2020 como sendo a Década Mundial de Ações para a Segurança no Trânsito tendo como objetivo a redução em até 50% no número de vitimas fatais no trânsito, uma meta que não é só das autoridades, mas de todos os atores do trânsito.
Nesse contexto, para reduzirmos esses tristes dados, é necessário a adoção de ações já previstas no próprio Código de Trânsito Brasileiro – CTB, em três áreas importantes, Fiscalização, Engenharia e Educação para o Trânsito. Esse tripé é que dá sustentação a um trânsito mais seguro. Porquanto, é necessária maior rigidez na fiscalização das leis de trânsito; melhor planejamento das vias e torná-las trafegáveis e principalmente trabalhar na educação para o trânsito de forma transversal no ensino fundamental, médio e até superior, estimulando nos alunos valores como o respeito, solidariedade, paciência, equilíbrio, compreensão, cooperação e responsabilidade.
Portanto, façamos cada um a nossa parte diuturnamente, sejamos educados, respeitemos as leis de trânsito e as outras convenções sociais, não deixemos apenas para refletirmos e discutirmos sobre um tema tão importante somente na Semana Nacional do Trânsito.

*Oficial da PMMA; Bacharel em Segurança Pública; Instrutor do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças da PMMA do Curso de Formação Especial de Sargentos 2008 da disciplina Policiamento Ostensivo Rodoviário de Trânsito; Atualmente Instrutor da Academia de Polícia Militar Gonçalves Dias no Curso de Formação de Oficiais da disciplina Policiamento Ostensivo de Trânsito.
E-mail: edilsonjunior.cardoso@bol.com.br

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