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4 de set de 2011

Jovens motoristas, que tiveram aulas teóricas na escola, chegam às ruas



Roberta Machado 

Publicação: 03/09/2011 08:00  
 
Jackeline e Gabriel, aluno do Centro Educacional Católica, tiveram aulas de legislação, direção defensiva, noções de convívio social, mecânica básica e primeiros socorros (Ed Alves/Esp. CB/D.A Press)
Jackeline e Gabriel, aluno do Centro Educacional Católica, tiveram aulas de legislação, direção defensiva, noções de convívio social, mecânica básica e primeiros socorros

Nos próximos meses, o Distrito Federal irá conhecer os primeiros condutores que iniciaram sua formação como motoristas antes dos 18 anos. Eles fazem parte de uma turma de 45 adolescentes que tiveram a oportunidade de participar de aulas teóricas do processo de habilitação ainda no Centro Educacional Católica de Brasília (CECB), com o apoio do Departamento de Trânsito (Detran). A iniciativa obedece à Resolução nº 265, do Conselho Nacional de Trânsito (Conatran), de 14 de dezembro 2007, que dá às instituições de ensino o poder de iniciar a educação dos futuros motoristas.

Esses alunos completaram, em junho último, um ano de estudos dedicados às leis do trânsito, durante o qual tiveram 90 horas de aula sobre o tema. A carga horária, estipulada pelo Conatran, corresponde ao dobro da oferecida nas autoescolas. Atualmente, apenas o CECB oferece o serviço em Brasília. Três estudantes completaram 18 anos e iniciaram o processo de obtenção da Carteira Nacional de Trânsito (CNH). Esses jovens não precisarão frequentar as aulas teóricas novamente.

Embora Jackeline Siqueira Sampaio, 17 anos, só faça aniversário no próximo ano, ela está um passo à frente das garotas de sua idade na busca pela carteira de motorista. “Não só estou preparada para a prova, como também vou entrar no trânsito mais consciente. Eu me sinto mais segura, pois hoje presto mais atenção nas placas e até alerto minha mãe sobre o cinto de segurança”, disse a adolescente. A turma de Jackeline passou o último ano tendo aulas de legislação do trânsito, direção defensiva, noções de convívio social nas vias, mecânica básica e primeiros socorros. “Podemos até salvar vidas. Outro dia, num restaurante, uma menina passou mal e eu fiz o procedimento que aprendi nas aulas”, contou.

Assim como Jackeline, centenas de adolescentes contam os dias para colocar as mãos na habilitação de trânsito ou até mesmo no primeiro carro. No Distrito Federal, 10,39% dos condutores têm 24 anos ou menos, contabilizando 19,6 mil jovens motoristas. Infelizmente, eles também são as maiores vítimas do trânsito: apenas neste ano, foram 74 mortos entre 18 e 29 anos nas ruas de Brasília, entre condutores, passageiros e pedestres (veja quadro).

O Detran afirma que a iniciativa de antecipar a educação teórica não tem o objetivo de formar motoristas mais jovens — o projeto busca formar condutores mais conscientes. “É ideal que o jovem tenha a percepção de risco e as noções das regras do trânsito desde cedo. Essa é a fase de expectativa, o que torna os jovens mais receptivos ao instrutor”, avaliou o diretor de educação de trânsito do Detran, Marcelo Granja. Segundo ele, outros colégios particulares já procuraram o órgão com o interesse de oferecer aulas de trânsito para seus alunos. “Também estamos conversando com a Secretaria de Educação para colocar um projeto piloto em uma das escolas públicas de ensino médio”, adiantou o diretor.

Ansiedade

No único colégio de Brasília onde o sistema foi implantado, o projeto é considerado um sucesso. A turma deste ano conta com 100 alunos interessados em fazer as aulas semanais. Alguns deles, como Gabriel do Nascimento, 16 anos, escolhem o modelo de carro que querem na maioridade. “Quero tirar a carteira o mais rápido possível, e consegui adiantar dois meses do processo. Eu pensei que seriam aulas chatas como as da autoescola, mas são muito dinâmicas. É tudo muito empolgante”, animou-se Gabriel. O pai dele, Valdir Ribeiro, 48, aprovou a iniciativa. “É normal todo adolescente sonhar ter o carro dele com 18 anos. Mas acho que com as aulas, ele terá mais atenção e respeito no trânsito”, afirmou.

Com o auxílio de bonecos de simulação, vídeos e até mesmo um carro de verdade, os adolescentes desfrutam do tempo prolongado do curso para dedicar mais atenção às lições de segurança. Eles até participaram de uma blitz do Detran, e abordaram veículos para dividir noções de segurança. “Hoje, o processo é muito rápido, e às vezes o candidato sai da autoescola sem condições de enfrentar o trânsito. Os adolescentes vão amadurecendo e compreendendo o processo sem pressa. Com eles, conseguimos inverter o quadro e investir mais em educação do que em fiscalização”, explicou o instrutor e coordenador do Grupo de Educação para o Trânsito (Getran), Ricardo Corrêa. Segundo ele, enquanto não podem colocar as mãos no volante, eles colocam em prática os conhecimentos como passageiros, pedestres e ciclistas.

SEM TEORIA NA AUTOESCOLA
A Resolução nº 265/Conatran, de 14 de dezembro de 2007, instituiu a formação teórico-técnica do processo de habilitação de condutores, como atividade extracurricular em escolas de ensino médio. O aluno precisa cumprir 90 horas/aula, que podem ser distribuídas pelos três anos ou divididas entre o 2º e o 3º ano do ensino médio.

O curso deve ser fiscalizado pelo Detran, mas será implementado pela escola e ministrado por instrutores certificados. O adolescente que cumprir as aulas será dispensado do curso teórico oferecido nas autoescolas, mas ainda precisa submeter-se ao exame escrito de legislação de trânsito. A resolução não permite ao aluno iniciar o processo para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) antes de completar a maioridade. Ele ainda precisa ter 18 anos para se inscrever nos exames e fazer as aulas práticas.

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Um comentário:

  1. Parabéns Irene pelo blog. É um excelente instrumento de aprendizagem. Abraços.

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