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30 de ago de 2011

Foi uma vez...o dia em que São Paulo parou

No curso de capacitação “Fazendo Escola – formando novos valores no trânsito – Capacitação de profissionais da Educação Infantil” para profissionais de Educação Infantil à Distância, uma das atividades solicitadas é usar a criatividade para construir um conto sobre o trânsito no futuro. A professora Dayane Cristina da Cunha Fernandes, aluna da tutora Rosimeire Nascimento -Departamento de Educação para Estudantes - DEE , escreveu o conto abaixo.
 
Parabéns pela criatividade! 
 
      Foi uma vez... O dia em que São Paulo parou.

      Sentado perto de sua janela, o avô olha para a paisagem, enquanto espera seu neto chegar. Pessoas andam para todos os lados. Bicicletas amarelas, vermelhas, azuis e coloridas. As placas são pequenas, mas é possível percebê-las.

      As crianças brincar de voar, enquanto são levadas no banquinho de trás. Algumas esboçam um sorriso quando passam perto das folhas das árvores.

      O menino chega, com seu capacete cheio de adesivos de super-herói, que o avô não reconhece. Em sua época era o “Ben 10”. O menino pergunta: “Ben o quê, vô? Ah, deixa pra lá! Vamos passear!”

      O avô pega seu veículo. Ele já está um pouco cansado para as bicicletas e prefere um quadriciclo de última geração, movido à eletricidade. Coloca o neto no banco de trás e os dois caminham por São Paulo, a boa e velha capital.

       Andam por alguns quilômetros, e aproveitam para conversar sobre futebol, Playstation 10 e Xbox720. Os jogos são em 3D e agora exalam cheiros e vibrações que nenhum sonhador jamais poderia imaginar na época do avô. Tempos mais que modernos. Durante a conversa, o menino pergunta: 

      “Vô, e como vocês andavam quando eram crianças? Tinha quadriciclo?”

      O avô parece ser levado de volta ao tempo em que veículos movidos à gasolina ainda eram os mais utilizados. Seu avô usava muito. Seu pai começou a utilizar menos, até que um dia chegou e disse:

      “Desisto! Vou vender o carro e comprar uma bicicleta!”

      O avô lembra que sua mãe quase desmaiou, pois sabia que isto não seria fácil, mas quando assistiu ao noticiário na TV naquele mesmo dia, concordou. As manchetes diziam: 
 
“São Paulo parou!”. Naquela época ninguém acreditava que isto pudesse acontecer. Mas aconteceu. O número de carros foi tanto que no dia 23 de agosto de 2015, a cidade parou. 

      As pessoas que moravam há 50, 60, 70 quilômetros do centro olhavam perplexas pelas lentes das câmeras colocadas nos helicópteros. Perderam dois dias de trabalho e acompanharam pela TV a grande marcha-ré da cidade. O congestionamento era tão grande que a antiga Radial Leste e as marginais Pinheiros e Tietê ficaram paradas em toda sua extensão. O último carro parado na imensa fila estava registrado a mais de 60 quilômetros do centro da cidade, isto, do lado Leste, onde o estádio do Corinthians ainda exalava o cheiro da Copa 2014, que levou o Brasil a ser hexa-campeão. 

      Os carros ficaram parados cerca de dois dias. Muitos motoristas simplesmente fecharam seus automóveis e foram para casa a pé. Haviam desistido de esperar por uma solução, que veio da maneira mais simples possível: quem estava atrás voltou para sua casa e guardou o carro. È claro que os carros fechados, foram guinchados. Bem feito!

      As filas quilométricas foram se desfazendo aos poucos, carro por carro. A perplexidade era tão grande que muitos choravam. Como chegaram a este ponto?

      Depois daquele dia, uma grande revolução aconteceu na cidade: milhares de pessoas tentaram vender seus carros. As lojas de carros e concessionárias ficaram lotadas e o prejuízo para as montadoras foi imenso. E as fábricas de bicicletas não deram conta da demanda. As lojas tiveram de fechar suas portas por conta da grande, e louca, procura pelas bicicletas. Resultado da loucura em terem insistido tanto pelo veículo mais problemático.

      A situação foi se normalizando. Algumas desistiram da idéia e aproveitaram a consciência de alguns para colocar seus carros novamente nas ruas. Mas eram poucos e mal vistos. Ter carro deixou de ser visto como símbolo de status e passou a ser visto como símbolo de egoísmo e burrice.

      O poder público precisou se adequar, criando muitas e muitas ciclovias, estacionamentos para bikes, investindo em trens e ônibus elétricos e corredores. Os carros tiveram cada vez menos espaços. As empresas também. Fizeram novos horários para os funcionários e investiram em empresas menos descentralizadas. O trabalho foi até os trabalhadores, e não o contrário, como acontecia antes da “Parada total”, como chamaram.

      De repente, o menino interrompe a louca história do avô e diz:

      “Vô! Chega! Eu sei que tipo de coisa o senhor está me contando e isto é coisa para crianças. Isto é uma história de “era uma vez”, igual aquela história da Chapeuzinho Vermelho.”

      O avô sorri e deixa o neto pensar que aquilo era simplesmente uma história para criancinhas, afinal, o importante era saber que aquilo “foi uma vez”, como nos contos que se perdem entre realidade e fantasia...
 
Dayane Cristina da Cunha Fernandes - professora
 

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