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24 de jul de 2011

“O tempo é um elemento importante quando falamos em trânsito “

por Daniela Schwalb Fucio - Assessoria de Imprensa Perkons

Nesta entrevista concedida a Perkons, o psicólogo Fábio de Cristo fala sobre a relação da psicologia com o trânsito e avalia o comportamento das pessoas. Ele é doutorando em psicologia na Universidade de Brasília. Como pesquisador do Laboratório de Psicologia Ambiental, desenvolve estudos sobre o comportamento no trânsito. Além disso, ele escreve no blog Psicologia e Trânsito (http://colunas.digi.com.br/author/fhvcs/) e administra o Portal de Psicologia do Trânsito (www.portalpsitran.com.br).

 Perkons - Na sua opinião, qual a maior contribuição da psicologia ao trânsito? 
Fábio de Cristo - São várias as contribuições da psicologia, no Brasil e no mundo. De maneira geral, a psicologia tem buscado compreender muitos dos comportamentos no trânsito e os processos psicológicos associados, colaborando com temas socialmente relevantes relacionados à (in)segurança no trânsito (exemplo, infrações e acidentes) e à qualidade de vida urbana (medidas de gerenciamento de tráfego e promoção de transportes sustentáveis).
 
Perkons - Nos dê exemplos! 

FC - Além de atuar no processo de habilitação de condutores, alguns psicólogos têm colaborado junto a coordenações do DENATRAN (Qualificação do Fator Humano no Trânsito), câmaras temáticas do CONTRAN (Câmara Temática de Saúde e Meio Ambiente) e na direção de órgãos municipais e estaduais de trânsito. A psicologia também tem contribuído na produção de conhecimentos científicos e na formação de outros profissionais do trânsito (instrutores e diretores de autoescolas). Espero que nos próximos anos possamos contribuir mais na elaboração e implementação de políticas públicas de trânsito e transporte.
 
Perkons - Você esta fazendo doutorado no Laboratório de Psicologia Ambiental da UNB. O que você está estudando dentro do tema trânsito?

FC - Estou estudando o hábito de dirigir automóvel. Além pesquisar formas de medi-lo, estou interessado em avaliar a influência da percepção da qualidade da infraestrutura de transporte na manutenção desse hábito. Espero colaborar cientificamente com o debate sobre a redução do uso do automóvel nas cidades e a melhoria dos transportes públicos. O Brasil deverá discutir melhor essas questões tendo em vista os intensos problemas atuais de congestionamentos.
 
Perkons - Em sua opinião, como deveriam ser as campanhas educativas para estimular um comportamento mais seguro no trânsito?

FC - A elevada quantidade de automóveis e o aumento da potência dos motores têm exigido de nós algo mais do que conhecimentos de como manobrar o veículo, por exemplo, a habilidade de conviver com muitas pessoas, o que não era tão exigido antigamente. As campanhas devem ampliar o foco de intervenção; devem caminhar do simples controle dos veículos para o controle da nossa vida; estimular o conhecimento das nossas limitações e potencialidades para agir coletivamente. Isso nos levará a um trânsito mais harmonioso.
 
Perkons - Por que é difícil controlar as emoções no trânsito?

FC - O tempo é um elemento importante quando falamos em trânsito. Recentemente, uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) identificou que 35% dos brasileiros percebem que a rapidez é a principal característica de um bom transporte. Queremos chegar rápido nos lugares, queremos nos deslocar rápido até um compromisso para, logo em seguida, ir a outro. Mas, e quando não conseguimos a rapidez esperada? Em muitos casos, nos comportamos inadequadamente pela pressão que o tempo exerce na organização das nossas atividades.
 
Perkons - Que dicas você costuma dar para que as pessoas aprendam a se controlar na direção e fazer a razão falar mais alto que a emoção? 

FC - Um desafio para o moderno treinamento de motoristas é o desenvolvimento da nossa capacidade de nos autoavaliarmos a fim de controlarmos nossas emoções e impulsos. No trânsito, encontramos situações que exigem de nós conhecimentos, habilidades e atitudes que, muitas vezes, não encontramos em outro ambiente, por exemplo: ter paciência com o carro da frente, acelerar e frear logo em seguida em outro semáforo, controlar os pensamentos que desviam a atenção etc. E quase tudo isso ao mesmo tempo. Em algum momento, é natural que as nossas emoções se aflorem, especialmente nas ocasiões nas quais percebemos que a nossa vida está em risco e/ou acreditamos ter sido injustiçados após a conduta de algum motorista. A autoavaliação, portanto, nos dará elementos para analisar as situações e as nossas habilidades para lidar com ela e decidir sobre como se comportar adequadamente.

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