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25 de mar de 2011

Precisamos mudar a cultura de que a CNH é para todos

Jessica Gustafson, especial para o JC

Motoristas e pedestres convivem diariamente com o estresse provocado pelos problemas do tráfego.
A violência sempre esteve presente na vida dos homens, em todas as épocas e dimensões históricas. Entretanto, o trânsito trouxe uma nova espécie de ato violento, no qual o carro é a arma. Porém, não é porque se tem uma arma na mão que se atira. Modos mais prudentes de enfrentar o trânsito não dependem só da capacidade, mas principalmente da índole do motorista.

"O trânsito é o cenário explícito de como as pessoas estão vivendo atualmente", acredita Aurinez Rospide Schmitz, diretora do Instituto de Psicologia do Trânsito - Ande Bem. Segundo ela, o dia a dia no tráfego retrata tudo aquilo que o indivíduo sente e não consegue canalizar de forma positiva e saudável: a pressão da rotina, o individualismo, o egoísmo, a falta de consideração e respeito pelo outro. Enfim, estes sentimentos, juntamente com o desequilíbrio emocional, resultam na violência no trânsito.

O egocentrismo, característica que define pessoas que consideram que tudo gira ao seu redor, pode ser uma das explicações para os atos egoístas que presenciamos cotidianamente. "Nossa sociedade sofre um mal-estar marcado e influenciado pela cultura da pressa, do imediatismo, do egocentrismo", explica. Para Aurinez, o trânsito está na contramão de tudo isso, pois nele se espera a tolerância, a paciência e a solidariedade. Assim, os acontecimentos violentos podem ser considerados tanto um sintoma quanto uma consequência.

Desta forma, a personalidade é um dos componentes essenciais para a adequada condução do veículo, sendo ela expressa diretamente no trânsito. A psicóloga afirma que é um conjunto de fatores externos e internos que resultarão em uma determinada atitude. "Quanto mais tranquila e equilibrada for uma pessoa, mais ela vai reagir com tolerância e cuidado diante das situações imprevisíveis no trânsito. Por ele ser constituído de pessoas anônimas, favorece que o descontrole seja expresso, servindo muitas vezes de válvula de escape das suas frustrações."

A necessidade de um condutor no mínimo equilibrado nos faz pensar na qualidade dos testes feitos para se conseguir uma habilitação, nos Centros de Formação de Condutores (CFCs) e como eles conseguem diagnosticar essas características. "Em primeiro lugar devemos mudar a cultura de que a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) é para todos os cidadãos. Nem todas as pessoas têm condições para dirigir e isso ainda é muito difícil de os cidadãos entenderem", pondera Aurinez.

Os testes aplicados hoje para a obtenção da CNH deveriam servir como uma avaliação real e confiável do futuro condutor. Entretanto, a avaliação é feita apenas num momento específico da vida deste indivíduo, o que impede o acompanhamento de sua saúde mental. Sinara Cristiane Tres, presidente da Comissão de Trânsito e Mobilidade Humana do Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul (CRPRS) e psicóloga do Detran/RS, explica que todos os testes realizados nos CFCs passam por uma criteriosa análise. "Para serem aprovados, os testes precisam provar, através de pesquisas qualitativas e quantitativas, cientificamente, que eles avaliam o que se propõem. Se os psicólogos utilizarem essas técnicas, realmente estarão avaliando o condutor", esclarece. Mas ela também acredita que as avaliações deveriam ser refeitas periodicamente.

Outra questão que pode levar ao questionamento da qualidade das avaliações é a quase nula possibilidade de um condutor não passar na prova. A psicóloga do Detran/RS admite que hoje é muito difícil alguém ser reprovado. "Claro que diversos fatores influenciam. Por exemplo, a pessoa, para buscar uma carteira de habilitação, já tem algumas condições psicológicas que outras pessoas não têm", defende. Segundo ela, pessoas com transtornos psicóticos, transtornos mais graves, não têm nem a condição de tentar fazer a carteira. "Existem os inaptos temporários. É uma situação em que a pessoa recebe o resultado com uma inaptidão temporária, para fazer um tratamento, e, posteriormente, ela volta para uma nova avaliação e recebe um resultado apto, ou apto com validade", completa.

Vale lembrar que, em 2002, o Conselho Federal de Psicologia lançou uma resolução prevendo que a avaliação psicológica de candidatos à CNH e condutores de veículos automotores não poderia mais ser realizada em CFCs ou em qualquer outro local, público ou privado, cujos agentes tenham interesse no resultado dos exames psicológicos, dada sua natureza pericial. A norma não é atendida até hoje.

O comportamento oscilante de quem dirige e a pressão sobre os condutores profissionais

Deivison Ávila
O fator determinante para a boa convivência no trânsito é um só: o motorista e seu comportamento ao volante. Isso vale para os veículos particulares, mas vale também para veículos de uso coletivo.
O comportamento dos profissionais - motoristas de ônibus, táxis e lotações - que transitam diariamente pelas ruas da Capital por muitas vezes é questionado e até mesmo hostilizado no dia a dia. Sem perceber o constante estresse enfrentado por profissionais que encaram o trânsito como profissão, condutores de veículos de passeio não se dão conta de que atrás de um volante também está um ser humano. Colocado à prova em dezenas de situações cotidianas, este motorista também comete erros e esquece das leis que devem ser respeitadas.

O Jornal do Comércio conversou com o gerente de Operações da Carris, uma das empresas responsáveis pelo transporte público em Porto Alegre - 22,7% das linhas são de responsabilidade da concessionária -, Marcos Ramos, e com o diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Vanderlei Cappellari. Em pauta, o comportamento, as reclamações e como gerir os condutores do transporte público na Capital.

Contrariando o senso geral, no ano passado, em um universo de 72 milhões de pessoas transportadas apenas pela Carris em Porto Alegre, 207 reclamações foram registradas no serviço de atendimento ao cliente. No entanto, esse número não representa o verdadeiro cenário de reclamações referentes a motoristas de coletivos.
No mês de fevereiro, por exemplo, foram levadas até a EPTC 1.345 queixas quanto ao comportamento destes profissionais. Outras 255 foram feitas contra condutores de lotação e 253 referentes a taxistas.

De acordo com Cappellari, dependendo da reclamação, a EPTC solicita a presença do permissionário que responde pela empresa, para que ele fique a par do que está ocorrendo. Caso seja reincidente, ou dependendo da gravidade do relato, o funcionário é encaminhado para um acompanhamento psicológico e social, a fim de que a origem do problema seja diagnosticada. Em relação aos permissionários de táxis e lotações, os condutores são convidados a comparecer pessoalmente para averiguação da notificação. "A EPTC conta com uma equipe especializada em disciplina, que realiza todo esse processo de acompanhamento da reclamação, desde a averiguação da veracidade do fato, a identificação do ocorrido até a devida punição", explica Cappellari.
 
Disponível em: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=57626 - Acesso em 25/03/2011

6 comentários:

  1. Perfeito! CNH não é um direito igual à Certidão de Nascimento. É uma concessão! Como tal, deveria ser fornecida a quem se demonstrasse apto. Deveria reprovar os inaptos psicologicamente e os sem habilidade suficiente para controlar o veículo.

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  2. O DIRIGIR É UMA ARTE, ESTA PROVADO QUE NO BRASIL ESTAMOS COM FALTA DESTE TIPO DE ARTISTA.
    SOLUÇÃO IMEDIATA PARA O TRANSITO É MUITO DIFICIL, DARIAMOS UM GRANDE PASSO PARA ISSO INICIANDO A PARTIR DA PRÉ ESCOLA, OU SEJA, CUMPRINDO A LEGISLAÇÃO JA EXISTENTE.

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  3. Punição não resolve muito.Devemos ter Educação para o trânsito e qualidade de vida.Mostrar aos nossos condutores o sofrimento das vítimas de acidente do trânsito e os grandes números de acidentes para que eles mudam seus comportamentos no trânsito.Quanto aos futuros condutores é só sermos profissionais, sejam avaliando-os ou ensinado-os com responsalidade e sem corrupção.

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  4. Conhecer a si mesmo e usar os 90/10 resolve os problemas do trânsito do brasil.

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  5. Princípio 90/10.
    Que princípio é este?
    Os 10% da vida estão relacionados com o que se passa com você, os outros 90% da vida estão relacionados com a forma como você reage ao que se passa com você.
    O que isto quer dizer?
    Que nós não temos controle sobre apenas 10% do que nos acontece. Não podemos evitar que o carro enguice, que o avião atrase, que o semáforo fique vermelho. Mas, você é quem determinará os outros 90%.
    Como?
    Com sua reação.
    Exemplo: você está tomando o café da manhã com sua família. Sua filha, sem querer, derrama café na sua camisa branca de trabalho. Você não tem controle sobre isto. Mas o que acontecerá em seguida será determinado por sua reação. Então, você se irrita. Repreende severamente sua filha e ela começa a chorar. Você censura sua esposa por ter colocado a xícara muito na beirada da mesa. E tem prosseguimento uma batalha verbal. Contrariado e resmungando, você vai mudar de camisa. Quando volta, encontra sua filha chorando mais ainda e ela acaba perdendo o ônibus para a escola. Sua esposa vai pro trabalho, também contrariada. Você tem de levar sua filha, de carro, pra escola. Como está atrasado, dirige em alta velocidade e é multado. Depois de 15 min. de atraso, uma discussão com o guarda de trânsito e uma multa, vocês chegam à escola, onde sua filha entra, sem se despedir de você. Ao chegar atrasado ao escritório, você percebe que esqueceu de sua maleta. Seu dia começou mal e parece que ficará pior. Você fica ansioso pro dia acabar e quando chega em casa, sua esposa e filha estão de cara fechada, em silêncio e frias com você. Por quê? Por causa de sua reação no café da manhã.
    Pense: “Por quê seu dia foi péssimo?”
    A) por causa do café?
    B) por causa de sua filha?
    C) por causa de sua esposa?
    D) por causa da multa de trânsito?
    E) por sua causa?
    A resposta correta é a (E).
    Você não teve controle sobre o que aconteceu com o café, mas o modo como você reagiu naqueles 5 minutos foi o que deixou seu dia ruim. O café cai na sua camisa. Sua filha começa a chorar. Então, você diz a ela, gentilmente: “tudo bem, querida, você só precisa ter mais cuidado”. Depois de trocar a camisa e pegar sua pasta, você volta, olha pela janela e vê sua filha pegando o ônibus. Dá um sorriso e ela retribui, dando adeus com a mão. Notou a diferença? Duas situações iguais, que terminam muito diferente. Por quê? Porque os outros 90% são determinados por sua reação.
    Aqui temos um exemplo de como aplicar o Princípio 90/10. Se alguém diz algo negativo sobre você, não leve a sério, não deixe que os comentários negativos te afetem. Reaja apropriadamente e seu dia não ficará arruinado. Como reagir a alguém que te atrapalha no trânsito? Você fica transtornado? Golpeia o volante? Xinga? Sua pressão sobe? O que acontece se você perder o emprego? Por quê perder o sono e ficar tão chateado? Isto não funcionará. Use a energia da preocupação para procurar outro trabalho. Seu vôo está atrasado, vai atrapalhar a sua programação do dia. Por quê manifestar frustração com o funcionário do aeroporto? Ele não pode fazer nada. Use seu tempo para estudar, conhecer os outros passageiros. Estressar-se só piora as coisas.
    Agora que você já conhece o Princípio 90/10, utilize-o. Você se surpreenderá com os resultados e não se arrependerá de usá-lo. Milhares de pessoas estão sofrendo de um stress que não vale a pena, sofrimentos, problemas e dores de cabeça. Todos devemos conhecer e praticar o Princípio 90/10. Pode mudar a sua vida! Que tal começarmos hoje mesmo, com todas as coisas à nossa volta. Um só momento em que não agimos impulsivamente pode fazer que todo o nosso dia, ou nossa vida, se torne positiva e agradável até o fim.

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  6. O princípio 90/10 é muito importante para o equilíbrio emocional no trânsito. Agradeço pelo comentário.

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