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5 de jun de 2010

Comportamento dos Adolescentes no Trânsito. Como educá-los?

Entrevista com Irene Rios

Por que a maioria dos adolescentes, costuma pegar carona com quem bebeu? O que explicaria esse tipo de atitude?
Algumas vezes eles se submetem a esse tipo de carona por falta de opção, os pais não podem ou não querem ir buscá-los e como nessa idade a maioria não tem dependência financeira, isso pesa na hora de pegar um táxi. Outro motivo é a inversão de valores, os adolescentes aprovam a lei seca, porém não consideram sua obediência mais importante que a opinião dos amigos sobre suas atitudes. O medo de serem excluídos do grupo, cujo líder diz que usar cinto de segurança é “careta”, pesa mais no grau de importância. Falta aos adolescentes descobrir o verdadeiro sentido da vida, o que realmente importa para uma vida feliz, o que é a verdadeira amizade. Após terem esses valores interiorizados, precisam também de coragem para praticá-los. É necessário PERSONALIDADE!  

Por que a Lei Seca não se revelou eficiente para a educação dos adolescentes?
Ao entrar em vigor, a Lei Seca virou personalidade, sendo bastante comentada e incentivada pelos meios de comunicação, demonstrou sua eficácia na redução da violência no trânsito. No entanto a freqüência das campanhas foi diminuindo, houve defasagem na fiscalização por falta de efetivos, aí surgiu a impunidade e a Lei Seca foi perdendo credibilidade. Para um resultado eficaz, mesmo que em longo prazo, é preciso muito mais do que campanhas pontuais, temos fazer propagandas melhores que as de cerveja e com continuidade. É preciso pensar em todos os públicos, para os adolescentes o foco da campanha deve ser o carona.  

Quais são as justificativas para o não-uso do cinto de segurança no banco traseiro?
As justificativas são várias, a principal é a falta de costume. A falta de cobrança por parte das autoridades também justifica o não uso do cinto de segurança. Outro fator determinante é o desconhecimento da utilidade do cinto no banco traseiro, muitos caronas se iludem pensando que nesse local do veículo estão protegidos pelo encosto do banco dianteiro. É preciso conscientizar os passageiros que, numa colisão, uma pessoa sem cinto de segurança no banco traseiro pode ser responsável pela morte de todos os ocupantes do veículo.  

Sobre os pais, ainda há uma certa intimidação por conta da autoridade paterna entre os adolescentes?
Sim, mas não nomeio essa atitude de “intimidação”, chamo de respeito, de valorização dos ensinamentos e exemplos paternos. Os pais são a fonte segura dos filhos, é neles que eles se apóiam. Será que os pais desses adolescentes estão dando bons exemplos? Será que eles usam o cinto de segurança quando estão sentados no banco de trás do veículo?

Fale sobre as campanhas educativas feitas pelas escolas para os adolescente.
A luta por um espaço nas unidades de ensino é constante, pois sabemos da importância das escolas na formação de opinião e na mudança de atitude. A colaboração dos educadores à educação para o trânsito é imprescindível. Eles estão boa parte do tempo com os adolescentes e podem realizar um bom trabalho, com continuidade. Afinal, é importante que a educação para o trânsito seja permanente, não basta dar aulas ou palestras esporádicas de boas condutas no trânsito. Por melhor que seja a atividade, mesmo que tenhamos conseguido um bom índice de aprendizagem, se não falarmos mais no assunto, surgirão outros interesses aos participantes e os conhecimentos adquiridos naquela aula ou palestra irão desaparecer. A Educação para o Trânsito merece ser inserida como disciplina no currículo do Ensino Médio. Não é necessário que seja uma disciplina específica de trânsito, o ideal é que em sua ementa conste também, Ética e cidadania, a educação de valores positivos, como: responsabilidade, respeito, saúde, auto-estima, valorização da vida e outros. Uma educação de qualidade precisa está contextualizada com esses valores. No entanto a realidade é outra, não temos a disciplina de educação para o trânsito. Nossa legislação, através da resolução 265/2007 do CONTRAN prevê que a educação pra o Trânsito seja implementada no Ensino Médio como uma atividade extracurricular, com carga horária de 90 horas aula, que pode ser ofertada aos alunos interessados, em turno oposto às aulas ou como a escola determinar. Sobre as metodologias adotadas é importante buscar alternativa que façam os adolescentes refletirem sobre suas atitudes, para isso é necessário despertar o interesse, usando recursos educativos adequados. Devemos diversificar, para alguns um vídeo com cenas que chocam, provoca a emoção e a reflexão, no entanto para outros não causa nenhum efeito. Alguns serão tocados por uma letra de música, por uma cena de humor, outros precisam vivenciar, fazendo uma entrevista com uma vítima de trânsito, por exemplo.

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