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29 de mai de 2010

As escolas e o trânsito: qual o seu papel no espaço público?

As informações dos fabricantes de veículos destacam os sucessivos aumentos no volume de vendas, são lançados modelos menos poluentes, mais econômicos e flexíveis. Contudo, essas inovações se defrontam com outros aspectos de pouca flexibilidade, entre eles: um espaço público restrito, problemas na educação para o trânsito e sistemas de gestão assimétricos. Diante da extensão da complexidade, mas sem estancar as inter-relações, é possível abordar algumas peculiaridades em relação à educação para o trânsito - uma das faces dessa questão. Nela observam-se pontos fundamentais: o papel do condutor, da educação e da fiscalização. Basta percorrer determinados locais em horários específicos para perceber como os entraves se encontram. O entorno das escolas está freqüentemente repleto de automóveis, são pais que levam ou buscam seus filhos. Alguns pais são nitidamente conscientes e procuram um lugar para estacionar, outros - longe da definição anterior - ‘estacionam’ em filas duplas e detêm o espaço público num típico comportamento que também estimula a continuidade dessa conduta para outras gerações. Sobre isso, veja-se o caso das mudanças realizadas em outros contextos, como na família, onde não são suficientes as palavras, visto que há pouco efeito quando um filho ouve uma orientação e percebe uma atitude diferente de seus pais. Assim, uma criança ao ver aqueles que ela mais confia, propositalmente, “segurar o trânsito” ou estacionar em local proibido, vai conceber esse ato como algo correto; no universo infantil, os pais representam a verdade e um modelo a ser seguido. O mesmo ocorre no interior de uma empresa, onde já está comprovado por inúmeros estudos que uma transição efetiva é bloqueada quando os colaboradores percebem que o discurso da liderança é diferente da prática. Claro, há inúmeras formas de solução, algumas delas se concentram na educação e na fiscalização. A primeira é um processo moroso, porém é o mais efetivo, mas depende de uma parceria entre os múltiplos públicos envolvidos: os cidadãos, os órgãos de fiscalização e as escolas. As escolas podem buscar a colaboração educacional junto aos pais e nos órgãos de fiscalização do trânsito que, longe de se apoiarem apenas na facilidade punitiva, devem entrar em sintonia com as escolas, já que não pode ser caracterizado como um procedimento estratégico quando os diferentes agentes, as escolas e os responsáveis pelo espaço público, atuem sem articulação. Do mesmo modo, se a premissa dos tempos atuais é a participação, a solução também passa pela integração desses agentes, bem como no envolvimento - e colaboração - dos familiares dos alunos. São ações que funcionam como um mecanismo de mudança cognitiva, ou seja, a realidade somente é modificada quando o novo ocupa uma lacuna que foi deixada por procedimentos fiscalizatórios ou educacionais intermitentes, ou seja, por atividades que foram iniciadas e desapareceram. Sem uma articulação entre os envolvidos ou apenas punir e não educar - frise-se -, é uma conduta que somente prolonga o problema e deixa a impressão de que, como disse - embora em outro contexto - Oren Harari, um estrategista da ‘Tom Peters Group’ - tudo está ‘a pleno vapor, sem direção alguma’. O autor, Renato Dias Baptista, é doutor em comunicação pela PUC-SP, especialista em gestão pública pela Unesp, docente da Universidade Estadual de Londrina - UEL - e da Universidade Paulista - Unip - e-mail: rdbapt@gmail.com Fonte: http://www.jcnet.com.br/detalhe_opiniao.php?codigo=184091 (acessado em 29/05/2010)

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