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21 de fev de 2010

Manifesto pela Educação no Trânsito

*Fábio de Cristo Aos companheiros pesquisadores, especialistas, instrutores, professores, gestores e demais profissionais do trânsito. O deslocamento nas cidades está cada vez mais perigoso e desgastante, gerando diversos transtornos para todos que circulam nas ruas e calçadas do nosso país. Os jornais e telejornais divulgam amiúde reportagens que mostram os horrores de uma guerra sem vencedores. Infelizmente, esses meios de comunicação exploram o sofrimento, a tragédia e a infelicidade alheia, muito mais para ganhar público do que para educar o ser humano. A audiência, por sua vez, vê e assiste a tudo isso estarrecida, paralisando-se no medo ante as conseqüências negativas da imprudência e da falta de bom senso de muitos motoristas e pedestres, sem esboçar, no entanto, qualquer atitude de mudança de sua própria conduta, manifestando apenas revolta. A educação para o trânsito que temos no Brasil, praticada em grande parte nos centros de formação de condutores, poderia muito bem ser rotulada de educação para passar na prova do DETRAN, esquecendo aquelas instituições do compromisso que deveriam ter com a sociedade. Simultaneamente, a atuação de muitos órgãos de trânsito dos estados junto às escolas regulares tem se resumido a palestras sobre como tirar a habilitação, em vez de explicar aos jovens as conseqüências potenciais que as ações impensadas no trânsito podem trazer para elas e para os outros; ou ainda, explicar os porquês da existência de certas normas que parecem, à primeira vista, restringir seus direitos e sua liberdade. Com a percepção, muitas vezes distorcida, de que leis e resoluções de trânsito existem apenas para beneficiar financeiramente alguns setores do mercado, nossos jovens tornam-se transgressores conscientes, contribuindo para a desarmonia coletiva que experienciamos no tráfego das cidades. Por sua vez, pais de família que não tiveram uma formação rigorosa para conduzir e conviver de maneira cordial nas ruas (re)transmitem valores deturpados aos seus filhos, que são os pedestres de hoje e, possivelmente, os futuros condutores de amanhã. Esquecem que o trânsito de 20 ou 30 anos atrás é muito diferente do atual em pelo menos duas coisas: a elevada quantidade de automóveis e a maior potência dos motores. É necessário, portanto, desenvolver nas crianças e jovens conhecimentos, habilidades e atitudes importantes para sobreviver na atual selva de asfalto, veículos motorizados e bichos-homens furiosos. Em função deste despreparo, “nossos meninos” reproduzem equivocadamente os erros daqueles que teriam o dever de lhes orientar adequadamente. Diante disso, parece ser inviável semear idéias e reflexões na tarefa pessoal dos pais, educadores, condutores e futuros condutores de educar a si mesmos e de transmitir boas ações aos outros. Contudo, devemos resistir, acreditar em um futuro mais feliz e harmonioso! “Companheiros profissionais do trânsito, uni-vos!”. É primordial oferecer ajuda, argumentos e idéias ao pai que queira conversar com o filho sobre como se comportar no trânsito, mas não sabe por onde começar ou não acha necessário. É urgente fundamentar e facilitar o trabalho de professores e instrutores de trânsito, disponibilizando conhecimentos e produzindo materiais que estimulem o debate, em sala de aula, dos diversos temas relacionados à segurança no trânsito. Ao mesmo tempo, marchemos adiante na perspectiva de atrair a atenção dos jovens que ainda não dirigem e/ou que estão perto de adquirir a sonhada habilitação, contribuindo com a sua formação cidadã. Usemos de diversas estratégias para alcançar estas nobres metas. Sempre que possível, optemos por não escrever textos longos e/ou enfadonhos; o corre-corre dos tempos atuais dificulta demais a leitura de coisas exaustivas. Isto facilita também o trabalho dos educadores em sala de aula, servindo como instrumentos capazes de estimular as discussões a respeito de um assunto. Que as observações do cotidiano e as notícias nos jornais, por exemplo, sirvam de mote para “dar vida” a algumas idéias para os temas abordados, aliando tudo isso a uma linguagem acessível e interativa. Não esqueçamos, companheiros, de buscar sempre aprender e atualizar nossos conhecimentos, buscando referências bibliográficas sérias para subsidiar os argumentos e pensamentos. Elas também poderão servir como sugestões para nossos leitores aprofundar os conhecimentos. Nossas ações, discursos e textos devem ser coerentes e provocar reflexões, já que parece existir uma forte tendência de privilegiar tão somente os aspectos sensacionalistas do trânsito, vide a freqüente associação entre trânsito e mortes, ferimentos, colisões e capotamentos, tanto na mídia, quanto nos “discursos prontos” de muitas pessoas, inclusive especialistas. Se esta estratégia baseada no medo e nos números estatísticos funcionasse, certamente já teríamos alcançado a tão almejada e discutida segurança no trânsito. Em vez disso, busquemos utilizar uma abordagem mais psicológica dos problemas, o que pode ser um modo interessante e útil para tentar estimular o leitor a pensar e a decidir por si mesmo, sem oferecer uma receita de bolo do tipo “faça isso assim, faça aquilo assado”, embora em alguns casos isso se faça realmente necessário. Companheiros, somente por meio de intenso trabalho e dedicação, acreditando no êxito da nossa tarefa no futuro, é que, por meio da educação, concretizaremos o nosso intento: A PAZ NO TRÂNSITO! Assinado, O PARTIDO DOS CIDADÃOS BRASILEIROS. *Psicólogo, Especialista em Gestão de Pessoas e Mestre em Psicologia pela UFRN. Atualmente é Doutorando em Psicologia na UnB, onde desenvolve estudos sobre comportamento no trânsito. fabiodecristo@digizap.com.br

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