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4 de nov de 2009

O que ensinam as auto escolas?

04/11/2009
Trânsito e civilidade Respondendo à pergunta que trazemos como título deste texto, alguém poderia dizer que é óbvio, as Auto Escolas ensinam a dirigir. Mas, de imediato, surge daí outra pergunta: o que é dirigir? Do modo como vemos os motoristas dirigindo parece-nos que as auto escolas ensinam apenas o manejo mecânico dos equipamentos do veículo e, no máximo, o reconhecimento da sinalização de trânsito. Manejar pedais, caixa de câmbio e direção não é tão difícil porque os movimentos são automatizados e não há, a rigor, problemas, a não ser uma ou outra vez em que se arranha uma marcha ou deixa-se o carro morrer na partida, coisas sem mais importância. Quanto ao reconhecimento da sinalização, porque obrigatório e há provas de avaliação para a obtenção da CNH (Carteira Nacional de Habilitação – documento sem o qual não se pode conduzir um veículo) ainda é apresentado algum conteúdo. Mas, mesmo assim, há ainda quem não saiba o que é uma rua preferencial, uma faixa de pedestre, além de outras sinalizações também ignoradas.
Penso que a lição básica que deveria nortear a formação do motorista seria o respeito às pessoas, aos pedestres: à vida. Daí deriva o reconhecimento e a obediência à sinalização que busca evitar acidente, além de regular o trânsito e o tráfego, de modo amplo. Neste sentido, destacamos os semáforos, as faixas de pedestre e o limite de velocidade como os pontos que exigem maior atenção.
No entanto, há comportamentos distorcidos por parte de certos motoristas que têm mais a ver com a falta de civilidade e de educação, e, por isto mesmo, deveriam melhor ser observados pelas auto escolas porque, muitas das vezes, também colocam em risco a vida. Citamos, por exemplo, algumas destas distorções que percebemos no trânsito desta capital. NÃO SE ESPALHE EM CURVA 1. motoristas que conduzem automóveis como se dirigissem caminhões longos ou ônibus: tais motoristas ao se aproximarem de um ponto em que tomarão uma rua à esquerda ou à direita, sem ao menos acionar o pisca para aquela direção, deixam sua faixa e invadem a faixa do centro da via, abrem de mais a curva, de tal modo que outro motorista tendo a impressão de que ele seguirá reto tende a buscar passagem justamente pelo lado em que aquele motorista entrará, deste modo, provocando um acidente. Por absurdo que pareça a situação, tais motoristas fazem este movimento mesmo quando contornam entram numa interseção em círculo (balão); BUZINA BOA, PÉSSIMO MOTORISTA 2. É de se perceber que o primeiro sinal de um motorista mal educado, mal formado, é que ele apela à buzina quando deveria e poderia utilizar o freio e a precaução. Se há um carro saindo, em marcha ré, de um estacionamento – embora a prioridade possa ser para quem vem na via –, seria seguro e civilizado que, percebendo a desatenção do motorista e, para evitar uma colisão, se reduza a velocidade e se aguarde a conclusão da manobra para prosseguir. Melhor a tranqüilidade do que a precipitação de tocar a mão na buzina e acelerar para passar sob a legação de quem a preferência da via. A mesma coisa para pode ser observada quando, em movimento, um carro à sua frente invade a faixa, à esquerda ou à direita. Embora possamos reconhecer que tal manobra é imprudente, também não é correto que se pressione o motorista desatento pelo uso da buzina. Quando a buzina é acionada, o mais provável é que o motorista da frente se assuste e jogue o carro para um ou outro lado, provocando acidente, inclusive, com quem buzinou.
3. Motoqueiros, em geral, utilizam a buzina de modo abusivo, justamente aqueles que são mais vulneráveis numa batida de carros. A buzina não apenas assusta como irrita. Maus condutores tendem a se valer do uso abusivo de buzinas. A PRESSA É INIMIGA DA SEGURANÇA 4. É comum também que sob a alegação da pressa, se atrevessem sinais vermelhos ou se dê partida antes que o semáforo esteja verde. Também nos semáforos se utilizam a buzina de modo indevido. Basta que o carro da frente estanque ou demore a perceber que o sinal abriu para que sejam acionadas as buzinas de quem vem atrás. Talvez o uso de velocidade acima do que é permitido, a invasão de sinal e todos os outros comportamentos deformados por conta da pressa sejam os maiores motivadores de acidentes de trânsito. PARADA OBRIGATÓRIA NA FAIXA DE PEDESTRES 5. As faixas de pedestres foram motivo de campanha educativa de trânsito recentemente nesta em Teresina. Enquanto a campanha esteve no ar, parecia que quase todos os motoristas haviam assimilado a mensagem e aderido à recomendação de dar prioridade ao pedestre. Mas, agora, à medida que se distancia o final da campanha, retorna-se aos maus hábitos e o pedestre volta a perder a vez. Isto significa que as campanhas devem ser mais duradouras assim como a fiscalização para a obediência ao que determina a Lei. FECHAR OS CRUZAMENTOS POTENCIALIZA OS ENGARRAFAMENTOS 6. Nos horários de pico – início da manhã, meio dia e final de expediente –, é visível a falta de educação de muitos dos motoristas nos cruzamentos da avenida Frei Serafim com Coelho de Resende, com Pires de Castro e com a Av. Miguel Rosa. Motoristas, principalmente de ônibus, fecham os cruzamentos de modo acintoso. Se de um lado isto evidencia a falta de educação de tais motoristas, por outro demonstra também como os órgãos oficiais de controle e fiscalização de trânsito desta cidade são insensíveis, morosos e até coniventes com motoristas infratores, há tempos. Viver no espaço urbano implica na observância e o respeito a aspectos coletivos para os quais grande número de pessoas não está preparado. Muitas vezes, por conta de advirem de outros grupamentos sociais e, outras, por pura falta de educação. É evidente que a competitividade, a premência do tempo, o nível de estresse além de outros fatores próprios deste tipo de convivência também contribuem para a predisposição a um certo tipo de comportamento bárbaro. No entanto, isto chega a ser paradoxal porque a urbanidade é, por expectativa, o lugar da informação mais fácil, mais acessível, da formação mais aprimorada e da civilidade em sentido pleno. Falta apenas que nos demos conta disto e nos disponhamos a contribuir para a melhor qualidade de vida social.
Então, retornando à pergunta inicial, dirigir é muito mais do que saber manipular os equipamentos mecânicos do veículo ou situá-lo na bitola de uma faixa e fazer manobras Para frente ou para trás. É compreender as relações de urbanidade, civilidade e humanidade em que se inserem os motoristas, transeuntes e os seus meios de transporte, a partir da compreensão de que todas as relações sociais se impõem como reflexo do desejo de bem viver e de ser feliz que deve mover a todos e a cada um e em respeito a integridade de todos. Edição: Laerte Magalhães Fonte: Da própria autoria

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